Lomografia – Rio Tapajós e Mercado do Peixe

Untitled by lgcorporativo
Untitled, a photo by lgcorporativo on Flickr.

Dupla exposição acidental: barcos à beira da orla da avenida Tapajós e mercado do peixe. Santarém, Pará. Imagem capturada com uma câmera lomográfica Diana Mini Petir Noire. Filme: Kodak Color Iso 200 35 mm.

Em busca de uma ponta de praia

Mais do que para o descanso, o domingo é um dia oportuno para descobertas. Quando se tem como “varanda” o rio Tapajós, floresta, praias e trilhas, bobagem é curtir o ócio em casa. Acordei ontem às 5h30. Às 7h, uma prazerosa agenda me aguardava: passeio de barco pelo rio Tapajós. Levamos a “boroca”* e armamos nossas redes, item indispensável em qualquer viagem na Amazônia. Um imprevisto, porém, não só atrasou a saída, como nos obrigou a uma baldeação. Trocamos o barco por uma lancha. Seguimos pelo Tapajós até pararmos, cerca de 30 minutos depois, numa praia, até então, desconhecida para todos. Cada qual dava seu jeitinho para atravessar as pedras no fundo das águas. Já na praia, os mocorongos (rs) corriam para atar suas redes nas árvores. O local era calmo, mas não oferecia um banho tão agradável. A lama no fundo do rio podia esconder “moradores” típicos, as arraias. Instiguei colegas a encarar uma trilha até uma ponta de praia que nos seduzia. Empolgado e bem disposto, só pus um chinelo e segui, sozinho, bem à frente, pelo caminho de pedras. Um momento particular para pensar nas inquietações imediatas e, simplesmente, curtir a brisa leve, o clima nublado, as fontes d´água que emergiam ao longo do percurso e o vôo das gaivotas. À medida que me aproximava da ponta de praia, porém, era exigido de mim um espírito aventureiro que ainda não desenvolvi tão fortemente. Por prudência, aguardei um colega para atravessar poças de lama cada vez mais profundas. Recuar, a alguns passos de uma praia que se elevava a uma altura de cerca de três metros, já era tarde demais. A curiosidade era grande. Vencíamos o lameiro enquanto outra parte da turma ganhava tempo e enveredava por um caminho bem mais confortável. O paredão de árvores deixava brechas do caminho alternativo, mas não o suficiente para eu mudar a rota. Segui e venci. A praia exibia um cenário que recompensava o esforço: águas límpidas e mornas, areia que ensaiva a formação de dunas e uma tranqüilidade que nos fizera donos do espaço até o pôr-do-sol, que anunciou nossa despedida.  Entretanto, não se interrompe o plano de um dia retornar, à noite, para escrever um outro capítulo especial na vida deste jornalista ou um post, se vier a ser publicado neste blog, regado a luar, brisa e uma agradável companhia, em Tapari, a praia que visitamos, ou numa outra que ofereça inspirações semelhantes.

* O mesmo que mala de viagem

Entre sapucaias e vitórias-régias

Obs: infelizmente, a internet em Santarém está de péssima qualidade, daí, o erro no carregamento das fotos da galeria. Todas, porém, são possíveis de serem visualizadas ao se clicar nos links.

Algumas pessoas têm a sorte de fazer o que gostam e, mais ainda, ter a oportunidade de passar por experiências valiosas. Eu me considero uma delas. Embora esteja num outro ramo da Comunicação, não me afastei, por completo, do Jornalismo. Por sinal, a concepção e concretização de produtos editoriais é o que mais me agrada. E nesta jornada (kkk) em busca de notícias, a Amazônia sempre nos surpreende com suas paisagens que transmitem paz, que nos revelam um mundo novo a cada viagem e nos dão a certeza da existência de um Ser maior, capaz de construir tão engenhosa arquitetura. Sábado (30) à tarde. Mochila nas costas – meu acessório indispensável – e lá vamos nós para uma viagem pelo rio Tapajós. Uma lancha pequena, porém, potente. Influenciado pelo rio Amazonas e pelos ventos fortes, o Tapajós nos faz enfrentar bastante “banzeiros” – espécie de ondas -, o que me rendeu uma sensação de tonteira à noite. Quem atravessa pelas margens das ilhas, vê apenas muitas árvores e não imagina que existem pessoas morando mata adentro, muralhas que escondem populações tradicionais, seculares, e a história de povos indígenas. Saímos do Tapajós e entramos por um canal, o Sururu, que nos conduz à comunidade do Laranjal, ainda em Santarém. Com a chegada do período quente, as águas já diminuíram bastante de volume, o que aumenta o percurso, a pé, até nosso destino. Numa das fotos, verá uma espécie de ponte, na verdade, trapiche, que dá uma noção a que altura chega o nível do rio. No caminho, terras fofas, de várzea, que, durante seis meses, permanecem cobertas pelas águas e, no restante do ano, reaparecem. O gado e o búfalo, então, também retornam. O igarapé recua e, os patos curtem um banho fresco na sombra das árvores. Pegamos uma catraia – leia-se canoa – e nos aproximamos das vitórias-régias. Grandes e com espinhos. As sapucaias ficam ao alcance das crianças. Foi a primeira vez que vi uma planta desta. É interessante. Dela, brotam cuias, que, quando seus frutos estão maduros, rompem-se e despejam castanhas. E esta comunidade, escondida dos olhos do homem urbano, diminui sua distância do mundo lá fora. Barcos de linhas fazem o trajeto Laranjal-Santarém-Laranjal todos os dias. A energia, embora ainda não seja fornecida 24 horas por dia, chega por meio de placas solares ou motores a óleo. Do início da noite até as 21h30, é possível ter energia. A comunicação também está presente, embora limitada. A Vivo faz seu sinal chegar e consegui enxergar dois orelhões. As emissoras de rádio são a principal fonte de informação. Como se vê, as comunidades evoluem, mas não querem perder os encantos do povo amazônico.