Release – Justiça Federal libera atuação do Incra em assentamentos e Resex no Oeste do PA

A Justiça Federal liberou seis projetos de assentamento – Vai Quem Quer, Rio Cupari, Paraíso, Ypiranga, São Benedito e Areia – e a Reserva Extrativista (Resex) Verde Para Sempre, localizados no Oeste do Pará, para a aplicação de recursos e a realização de quaisquer trabalhos por parte do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O órgão atendeu as exigências estabelecidas pelo Judiciário em Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF). Com base nisso, o juiz federal José Airton de Aguiar Portela, da Subseção da Justiça Federal em Santarém (PA), em decisão proferida nesta terça-feira (9), tira da condição de interditados esses projetos, onde existem cerca de 3.240 famílias cadastradas como clientes de reforma agrária.

Até então, esses seis assentamentos e a Resex estavam impedidos de receber ações do Incra em decorrência de uma liminar, de agosto de 2007. A partir da decisão do juiz José Airton Portela, esses projetos, localizados nos municípios de Monte Alegre, Aveiro, Rurópolis, Itaituba, Trairão e Porto de Moz, tornam-se aptos a receber, plenamente, ações governamentais.

“A gente considera o início de uma nova fase. O Incra, finalmente, pode trabalhar as políticas públicas nessas áreas, que são importantes e estratégicas para a agricultura familiar. Para nós, é uma grande vitória”, avalia o superintendente regional do Incra em Santarém, Luciano Brunet.

Saneados os processos de criação dos assentamentos e revista a relação de clientes de reforma agrária da Resex, o Incra solicitou a liberação dos projetos perante a Justiça Federal, no que foi atendido. No caso do PA Vai Quem Quer, além do saneamento processual, o Incra obteve a Licença Prévia (LP), documento expedido pela Secretaria de Meio Ambiente (Sema) do Estado do Pará. Quanto aos demais assentamentos liberados pela Justiça Federal, o Incra aguarda o licenciamento ambiental da Sema.

Educação de volta

O juiz José Airton Portela também permitiu que o Incra retome o funcionamento do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). Essa decisão beneficia todos os assentamentos interditados. Com a autorização, o órgão volta a operacionalizar o convênio ainda em vigência que trata do curso – de nível superior – Magistério da Terra, que tem como objetivo atender 200 jovens.

Incra solicitará a liberação de mais assentamentos

Na próxima semana, o Incra irá solicitar à Justiça Federal a desinterdição dos projetos de assentamento Curumu, Itapecuru e Campo Verde, localizados nos municípios de Alenquer, Oriximiná e Rurópolis, respectivamente. Os processos de criação dos três foram saneados. Além disso, os dois primeiros já obtiveram LP. Esse documento é dispensado para o Projeto de Assentamento Campo Verde, que foi criado quando não havia tal exigência.

O trabalho continua

Desde agosto de 2007, quando foram interditados 105 assentamentos e a Resex Verde para Sempre, é a primeira vez que a Justiça Federal se manifesta favorável à liberação de áreas que estão no rol da Ação Civil Pública. A decisão da Justiça é subsidiada pelo trabalho de uma força-tarefa instituída pelo Incra para corrigir eventuais falhas na criação de assentamentos e elaborar relatórios a fim de embasar o pedido de licenciamento ambiental.

Até o momento, foram saneados os processos de criação de 60 assentamentos, para os quais já foram solicitados LP. À medida que for concedido o licenciamento ambiental dos assentamentos, o Incra irá protolocar petições perante a Justiça Federal no sentido de que ocorra a desinterdição.

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Municípios do Oeste do Pará concentram os mais pobres do país

Os municípios de Pacajá e Porto de Moz, Oeste do Pará, figuram na lista dos que concentram os maiores índices de pobreza no Brasil, segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) divulgado, no último sábado (22), pelo jornal “O Estado de São Paulo”.

Numa escala de 0 a 0.4 – faixa inferior do ranking -, Pacajá e Porto de Moz empatam em 0,39. Nesse intervalo do Índice de Desenvolvimento Familiar (IDF), estão outras 32 cidades.

Entre os estados, Amazonas, Pará e Maranhão, nesta ordem, concentram o maior número dos pobres mais pobres.

A pesquisa desmistifica a imagem de que os nordestinos são os líderes quando se fala em miséria. Fico orgulhoso que o estado onde nasci, o Piauí, não está no topo do ranking. Até alguns anos atrás, a realidade era diferente.

A pesquisa implica numa série de reflexões sobre seu resultado, afinal, a Amazônia é tão rica e concentra os mais pobres, enquando no Nordeste, onde o povo ainda sofre com a rigorosa estiagem todos os anos, os indicadores sociais avançam.

Há de se considerar que tanto já se extraiu da floresta de forma irregular e, ainda assim, as desigualdades se mantêm, sinal de que a riqueza obtida com a exploração predatória se concentra nas mãos de poucos, que desfilam em suas pickups e mantêm casas luxuosas. Em contrapartida, situações análogas ao trabalho escravo ainda são recorrentes, principalmente no Pará.

Arte em cores

Artesanato na Reserva Extrativista (Resex) Verde Para Sempre. Esta é considerada a maior unidade de conservação do mundo na modalidade resex. As fotos são de moradores da comunidade Espírito Santo do Carmelino, que fica no Município de Porto de Moz (PA).