
Estampa da bandeira do Pará
Fui surpreendido. Um amigo me presenteou uma camisa na qual o destaque é a bandeira do Pará. Presente este que tem caráter simbólico forte, afinal, sou piauiense e me orgulho disto. Lembram quando o presidente Lula pôs o boné do MST na cabeça? O ato rendeu muitas discussões. Guardadas as devidas proporções, a comparação faz sentido ao me fazer refletir sobre o presente e o futuro. Para fazer um teste sobre a repercussão, vesti a camisa ao ir para o trabalho. E rendeu bastante… rs. As pessoas olhavam surpresas e diziam: “Olha já! Virou paraense mesmo?”. É engraçado. Confesso que ao chegar a Santarém a adaptação foi bastante difícil. Meus amigos e familiares ficaram distantes; meus planos de consolidar uma carreira como jornalista de redação foram suspensos; a aprovação no concurso também significou o término de um namoro; etc. Estava zerando a minha vida. Era a primeira vez que me afastava do Piauí. Mas era a hora de arriscar, de tentar. Sempre procurei adotar esta postura. E mudar para uma cidade que eu nem sabia localizar no mapa era um desafio. E vim e não me arrependi. Dois anos e meio depois, adquiro conhecimento ao trabalhar num ramo diferente da Comunicação, vivo experiências que me rendem mais maturidade e discernimento e tenho a oportunidade de conhecer a região mais cobiçada do mundo. O crescimento se dá como jornalista e como homem. São momentos – bons e ruins – que ficarão guardados na memória. Hoje, vivo e escrevo novas histórias, com finais, espero eu, felizes. O meu Piauí, entretanto, fica e sempre ficará como meu porto seguro, o meu lar. Quando retornarei em definitivo? Deixo a interrogação. Nem eu mesmo sei. Digamos que eu ainda queira me permitir descobertas, mas sem perder os laços pessoais e profissionais com a minha terra.
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