Acordo garante mapeamento fundiário em Santarém (PA)

Ato de assinatura do acordo

Ato de assinatura do acordo

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária em Santarém (PA), o Projeto Saúde e Alegria, o Sindicado dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Santarém (STTR/STM) e a Federação das Associações de Moradores e Comunidades do Assentamento Agroextrativista da Gleba Lago Grande (FEAGLE) assinaram ontem (3) um acordo de cooperação técnica. O ato ocorreu na sede do STTR de Santarém. Entre os objetivos do trabalho, estão o combate à eventual ocupação irregular e à prática de grilagem, além do ordenamento do território, reconhecendo os documentos legítimos de titularidade e definindo, com exatidão, a área destinada a assentados.

A parceria prevê o desenvolvimento de ações conjuntas para o levantamento da situação processual fundiária da Gleba Lago Grande da Franca, cuja área corresponde a 250 mil hectares dentro do Município de Santarém. Também serão produzidas peças técnicas para a implantação do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Lago Grande, que está dentro da gleba e onde estão cadastradas cerca de 5.085 famílias como clientes de reforma agrária. O acordo tem validade de 1 ano, mas a expectativa é que no primeiro semestre de 2009 os resultados já possam ser apresentados.

O Projeto Saúde e Alegria, uma entidade não-governamental, antes mesmo do acordo de cooperação técnica, já atuava na região. “Vamos dar apoio ao levantamento sócio-econômico do assentamento. A gente já vem trabalhando com dinâmicas de mapeamento participativo. Aproveitamos a imagem de satélite, fazemos um encontro de lideranças, estas identificam as comunidades e podem definir, elas próprias, o projeto de desenvolvimento para o território”, explica o coordenador geral da ONG, Caetano Scannavino. 

“Com este mapeamento, o Incra vai ter mais informações para melhorar sua ação na região e, logo adiante, vamos trabalhar o repasse de créditos”, informou o superintendente regional do Incra em Santarém, Luciano Brunet. Dentre os créditos, estão o Apoio Inicial, no valor de R$ 2.400 por família, que é destinado à compra de ferramentas agrícolas e produtos de primeira necessidade, como alimentos; e o Aquisição de Material de Construção, cujo valor atinge R$ 7 mil por família.

 “A expectativa é muito grande. O passo fundamental é resolver a questão fundiária. É preciso fazer uma ‘limpeza’ para que se saiba qual é o perímetro do assentamento e garantir às famílias o seu trabalho”, comenta o presidente da Feagle, Gilberto Santos. O mapeamento fundiário dá mais segurança às populações tradicionais do PAE Lago Grande, que há séculos vivem na região tendo como fontes principais de renda a pesca e a agricultura. São ribeirinhos que, em 2005, através de audiências públicas, aprovaram, em quase sua totalidade, a criação de um assentamento agroextrativista. A modalidade, que possui instrumento de titulação coletiva, reforça a organização social das comunidades.

Desenvolvimento Sustentável – “O trabalho que ora se organiza dará subsídios para a efetiva aplicação da ‘Constituição’ do assentamento, que é o plano de utilização”, acrescenta João José Corrêa, técnico do Incra que conduz o levantamento de dados na Gleba Lago Grande da Franca. O plano de utilização do PAE Lago Grande, concluído em maio de 2008, define as regras dentro do assentamento, como o uso dos recursos naturais. É um instrumento importante no desenvolvimento sustentável da região.  

“O Lago Grande é uma área rica, que pode proporcionar aos trabalhadores uma melhoria na qualidade de vida”, destaca o presidente do STTR/Santarém, Raimundo Mesquita, ao comentar a importância de se preservar a região para as populações tradicionais. Os ribeirinhos do PAE Lago Grande vivem em áreas ao longo dos rios Arapiuns e Amazonas, onde há flora e fauna bastante diversificada.

Servidores do Incra discutem gestão institucional e reforma agrária no Oeste do Pará

Santarém (PA), 20 de junho de 2008

Servidores da Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Santarém (PA) estiveram reunidos, durante cinco dias, no I Seminário Interno da instituição no Oeste do Pará. O evento, ocorrido em Santarém, teve por objetivo discutir, de forma participativa, a gestão institucional e os rumos da reforma agrária. 

O seminário, que iniciou no último dia 16 e se estendeu até hoje (20), teve como público-alvo os servidores da sede da SR-30, em Santarém, e representantes de Unidades do Incra nos municípios de Altamira, Monte Alegre, Rurópolis e Itaituba.

Também foram inseridos no debate representantes de órgãos e setores do movimento social e da pesquisa acadêmica cuja atuação se relaciona com a reforma agrária e a regularização fundiária. O diretor de Gestão Estratégica e Presidente Substituto do Incra, Roberto Kiel, participou da abertura do evento.

O I Seminário Interno da SR-30 foi deflagrado semanas antes, quando os servidores do Incra promoveram discussões prévias para diagnosticar as principais adversidades enfrentadas atualmente e coletar proposições, que foram expostas e debatidas.

No encerramento do evento, uma comissão foi formada para sintetizar e organizar o conteúdo do seminário em documento, que ainda será objeto de contribuição por parte dos servidores até ser encaminhado a instâncias decisórias do Incra. A meta é contribuir no reforço aos investimentos em infra-estrutura e no quadro de pessoal da Superintendência, além de qualificar a reforma agrária no Oeste do Pará.  

Boletim Terras do Tapajós – Junho/2008

Esta é mais recente publicação institucional que produzi. Público-alvo: sindicato de trabalhadores rurais, órgãos públicos, ong’s, servidores do Incra e lideranças políticas que acompanham a reforma agrária no Oeste do Pará.

Manchetes desta edição
>> Incra e Sema assinam TAC para licenciar assentamentos
>> Educação abre novas perspectivas para assentados na Transamazônica
>> Incra promove encontro entre servidores
>> 25 casas são construídas no PAE Eixo Forte

Clique no lik e acesse o arquivo: junho_2008

Incra e Sema assinam TAC para licenciar assentamentos

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) assinaram na última terça-feira (27), em Belém (PA), um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que visa a execução do licenciamento ambiental nos projetos de assentamento federais no Estado do Pará. O documento foi assinado pelas três Superintendências do Incra no Pará, que possuem sedes em Belém, Santarém e Marabá.

O superintendente regional do Incra em Santarém, Luciano Gregory Brunet, informou que o TAC também permite que o órgão retome obras de infra-estrutura e o repasse de créditos aos assentamentos enquanto são providenciadas as licenças ambientais. Até a assinatura do documento, o Incra estava impossibilitado de realizar tais investimentos.

A partir da assinatura do TAC, o Incra apresentará, em até 30 dias, um plano de ação contendo o cronograma de trabalho para o licenciamento de todos os projetos de assentamento federais no Pará. Dentre outras atribuições da autarquia, também estão previstas a elaboração de medidas para a prevenção e recuperação ambiental.

Quanto à Sema, dentre suas tarefas previstas no TAC, estão a prioridade na análise e concessão das licenças ambientais para os assentamentos, tendo em vista a relevância social da medida. Uma outra ação que se destaca é a autorização para a implantação de infra-estrutura mínima à sobrevivência das famílias, como a construção de estradas e casas, antes da expedição da Licença de Instalação e Operação (LIO).

No caso específico do Oeste do Pará, o Termo não abrange, neste momento, os assentamentos que foram objeto de interdição por decisão judicial. Estes permanecem sob a análise de uma força-tarefa que está instituída na Superintendência Regional do Incra em Santarém.

Incra e UFPA formam 135 assentados no curso de Magistério da Terra

O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), que está completando 10 anos, formou mais 135 jovens e adultos assentados em oito municípios ao longo da Rodovia Transamazônica. Eles tiveram acesso ao curso de Nível Médio na modalidade Magistério da Terra, desenvolvido através de uma parceria entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Universidade Federal do Pará (UFPA).  

As solenidades de colação de grau ocorreram no período de 16 a 18 de maio nos três pólos do curso: Pacajá, Altamira e Medicilândia. Assentados dos municípios de Anapu, Uruará, Brasil Novo, Vitória do Xingu e Senador José Porfírio também foram beneficiados pelo projeto, que iniciou em março de 2005. O investimento no curso, que torna os novos educadores aptos a lecionar de 1ª a 4ª série, foi de R$ 1.385.000.

“A educação é um dos pilares centrais do desenvolvimento do projeto de assentamento. O Pronera leva conhecimento a estas áreas, oportunizando acesso à alfabetização, à escolarização e ao ensino superior”, destaca o gestor do programa na Superintendência Regional do Incra em Santarém, Gilvanderson Barros.   

O curso abriu novas perspectivas de futuro para os assentados e reforçou o compromisso com suas comunidades. Marleide Alves dos Santos, uma das novas educadoras, já conseguiu emprego e agora irá transmitir os conhecimentos adquiridos com as crianças do assentamento Bom Jardim, em Pacajá, onde também reside. 

Outras histórias demonstram a continuidade do aprendizado. Rodrigo Feitosa, do projeto de assentamento Assurini, em Altamira, foi aluno do Pronera de 1ª a 4ª série. “Acredito que agora podemos alcançar o objetivo de ensinar com qualidade. Meu plano é ajudar a comunidade”, afirma o jovem educador de 23 anos.  

Ensino e realidade – “Se queremos uma sociedade transformada, precisamos incluir pessoas que trabalharam com a questão da preservação do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável. Investir neste novo profissional, é olhar a Amazônia com responsabilidade”, ressalta a coordenadora do curso de Magistério da Terra, professora Ieda Queiroz.  

Diferente dos cursos tradicionais de Magistério, o que foi proporcionado aos assentados trabalha a realidade do campo e enfatiza a troca de experiências, alternando entre o tempo escola e o tempo comunidade.