Terras do Tapajós – XVIII

Imagens obtidas a partir de um scanner.

Floresta “esconde” histórias dramáticas

42 anos de anonimato

42 anos de anonimato

Na última viagem que fiz, pude conhecer alguns personagens que possuem um histórico de exclusão. Na foto acima, creio que está o caso mais impressionante. Dona Maria de Fátima Alves é moradora da comunidade Fé em Deus, na Gleba Nova Olinda, Oeste do Pará. Tímida, ela acompanhava o marido, Anastácio Alves Santos, 57 anos, para o recebimento das certidões de nascimento de oito filhos, dos quais, três já estão na maioridade. Mas não só. Dona Maria recebia a própria certidão de nascimento. E somente após 42 anos de vida. Uma mulher, até então, anônima na floresta, como tantas outras que são público-alvo do Programa de Documentação ora empreendido pelo Incra e pelo MDA. O primeiro documento, entretanto, abre portas e o interesse pelo exercício da cidadania. “Agora, vou buscar os outros documentos”, disse Dona Maria, que nunca votou e nem freqüentou os bancos escolares.

Compartilhe este post
Bookmark and Share

Moradores da Gleba Nova Olinda e da Resex Tapajós-Arapiuns recebem documentação

O release abaixo foi encaminhado para a imprensa no sábado (28). Vou escrever um outro texto,  no estilo revista, para o “Terras do Tapajós”. Rende, em especial, pela história de uma mulher que, somente aos 42 anos, recebeu a certidão de nascimento. Nos próximos dias, posto as fotos.

A Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Santarém, em parceria com órgãos públicos federais e entidades do movimento social, concluiu mais uma etapa do programa de documentação de trabalhadores rurais. No período de 23 a 27 deste mês, uma equipe do órgão se deslocou até comunidades da Gleba Nova Olinda e da Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns, no Oeste do Pará, para a entrega de 360 documentos, entre certidões de nascimento e CPF’s.

“Essa ação é importante pelas dificuldades de locomoção até a cidade e pelo poder aquisitivo das pessoas. Custa caro a passagem daqui (Resex) até a cidade – até em torno de 120 reais para ir e voltar”, revela Leônidas Farias, representante da Federação Tapajoara, que congrega comunidades da Resex Tapajós-Arapiuns. Ele acrescenta que a situação fica pior no período da seca, quando alguns moradores demoram até três dias viajando para chegar à área urbana de Santarém.

Com o programa de documentação de trabalhadores rurais mantido pelo Incra e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, equipes se deslocam até as comunidades, efetuam o cadastro das famílias e a entrega dos documentos, garantindo cidadania a quem tem dificuldade de acesso aos órgãos expedidores.

Maria de Fátima Alves, moradora da Gleba Nova Olinda, manteve-se, por 42 anos, uma cidadã anônima para os órgãos de governo. Somente na última quinta-feira (26), ela recebeu a certidão de nascimento. A dona-de-casa nunca estudou e, em virtude da ausência de documentação, não conseguia benefícios sociais do governo e ainda não exerceu o direito ao voto. Maria Alves também recebeu a certidão de nascimento de oito filhos – três já atingiram a maioridade – no mesmo dia em que obteve a sua.

Próxima ação – Orivan Matos, coordenador do programa de documentação no Incra, informa que o Município de Aveiro, Oeste do Pará, será o próximo atendido. A previsão é que na segunda quinzena de abril, em data a definir, seja feito o levantamento da necessidade de documentação em 13 comunidades rurais.

Compartilhe este post
Bookmark and Share