Release – Incra anuncia R$ 21,1 milhões em estradas para assentamentos na Transamazônica

Compartilhe este post
Bookmark and Share

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) anunciou nesta terça-feira (26), em solenidade realizada no Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança, no Município de Anapu (PA), R$ 21,1 milhões a serem investidos na abertura e recuperação de 581 quilômetros de estradas vicinais em assentamentos no eixo da Rodovia Transamazônica. Serão atendidos pelo menos 17 assentamentos nos municípios de Anapu, Altamira, Brasil Novo, Medicilândia, Pacajá, Senador José Porfírio e Uruará.

As obras de infraestrutura serão realizadas por empresas contratadas através do Incra, em processo licitatório, e pela Prefeitura de Anapu, com a qual o órgão assinou ontem um convênio de R$ 5,3 milhões. O valor é destinado para os assentamentos Canoé, Pilão Poente II e III, Grotão da Onça, Virola-Jatobá e Esperança. Este último é o mais simbólico na luta dos trabalhadores rurais da região em prol da reforma agrária e da preservação da floresta. Num dos lotes do PDS, foi morta a missionária americana Dorothy Stang.

“Para nós, o significado desse momento é mais organização e luta e fazer com que esses recursos sejam totalmente investidos para o bem do povo do município de Anapu”, afirmou a irmã Jane Dwyer, ao comentar o legítimo controle social das entidades representativas dos trabalhadores rurais.

Habitação

Ainda como parte da programação no PDS Esperança, em ato simbólico, o padre Amaro, integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), e a irmã Kátia Webster, da Congregação das Irmãs Notre Dame, puseram o primeiro tijolo numa das 36 casas que atualmente são construídas, em regime de mutirão, pelos assentados. Em cada unidade habitacional, o Incra destina R$ 7 mil em material de construção.

“Sinto uma emoção muito grande em receber esta casa. É uma luta de muito tempo. Agora, eu espero que a Justiça puna aqueles que tiraram a vida da irmã Dorothy. Se ela estivesse viva, creio que já teríamos conquistado muito mais”, afirma, em tom nostálgico, o assentado Laércio Souza, beneficiado com a casa cujas obras, simbolicamente, iniciaram nesta terça-feira.

O histórico de resistência é uma marca dos trabalhadores rurais em Anapu. A família de Luís de Brito, outro assentado atendido com o Crédito Aquisição de Material de Construção repassado pelo Incra, relata que já foi perseguido e ameaçado por fazendeiros, mas que hoje vê no trabalho coletivo do PDS um alento para a reforma agrária na região. O agricultor recebeu ontem as chaves de sua casa.

Assessoria técnica

Além de infraestrutura, o Incra investe em assessoria técnica. Hoje, em Anapu, uma cooperativa atende 754 famílias. A Emater, órgão conveniado com o Incra, brevemente reforçará esse trabalho, alcançando mais 925 famílias. “Temos de reconhecer o trabalho do Incra em Anapu”, afirmou o procurador Felício Pontes, membro do Ministério Público Federal (MPF) no Pará. Além dele, prestigiaram o evento organizado em Anapu o vice-presidente do Incra, Roberto Kiel, que representou o presidente da Autarquia, Rolf Hackbart, ausente em decorrência de problemas de saúde; o superintendente regional do órgão em Santarém, Luciano Gregory Brunet; secretários do Governo do Estado; parlamentares; gestores municipais; e lideranças de movimentos sociais.

Incra entrega casas no PDS Esperança

Compartilhe este post
Bookmark and Share

Release encaminhado à imprensa no último dia 30 de abril. É bem gostoso perceber como o nosso trabalho pode mudar vidas. A personagem inicial desta matéria é uma conterrânea, do Município de União, que fica a 59 quilômetros da capital piauiense, Teresina.

Uma casa de barro, de chão batido e coberta de palha. A moradia da qual a assentada Francisca Alves, 44 anos, tinha vergonha. A alguns metros, entretanto, o marido e os filhos se empenhavam em erguer o sonho da casa própria. “Vou ter mais espaço, me sentir melhor, e meus filhos vão viver num local mais adequado. Eles merecem”, planeja a agricultora. Daqui a alguns dias, a família se muda para uma casa construída em regime de mutirão no Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Anapu I, mais conhecido como Esperança, localizado no Município de Anapu (PA).

No assentamento, as famílias dão exemplo e mostram que a organização social faz a diferença. Os assentados do PDS inovaram ao tomar a iniciativa de eles próprios construírem as casas em vez de assinar contrato com uma construtora. A economia no gasto com mão-de-obra propicia melhor acabamento das unidades habitacionais e engajamento na fiscalização e conclusão das obras, que se dá em conjunto com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O órgão investe R$ 7 mil por família através do Crédito Aquisição Material de Construção.

“Fizemos todo um levantamento e vimos que poderíamos construir uma casa melhor envolvendo a comunidade num processo coletivo. Propomo-nos a fazer algo de qualidade para servir de modelo para outras regiões. O resultado inicial é bem satisfatório”, avalia Fábio Souza, presidente da associação representativa do PDS Esperança. O assentamento é conhecido internacionalmente em virtude da luta empreendida pela missionária americana Dorothy Stang.

Na opinião do agricultor Luís Brito, 45 anos, o regime de mutirão também dá mais segurança ao assentado no sentido de que a casa atenda ao gosto e às necessidades de cada família. “Acompanhei do baldrame até a pintura. É isso que a gente pedia”, relata Brito, que fazia, ele próprio, os últimos ajustes no acabamento na casa.

No último dia 29 de abril, durante o encerramento de uma oficina promovida para os assentados, foram entregues, simbolicamente, três casas no PDS Esperança. Outras 10 já foram concluídas e 33 estão em construção, com previsão de término das obras até meados de julho. Com 47 metros quadrados, cada casa possui sala, cozinha, dois quartos e banheiro.

“Essas casas têm um valor simbólico. É o primeiro trabalho de mutirão. Mostra a parceria na proposta do Incra de melhorar a qualidade de moradia dos assentados”, destaca o superintendente regional do Incra em Santarém, Luciano Gregory Brunet.

Anapu homenageia Dorothy

Post atualizado às 14h30-14/02/09

Compartilhe este post
Bookmark and Share

Estive em Anapu ontem (12). Na oportunidade, distribuí o “Terras do Tapajós, Especial Anapu”. Segue relato da programação em homenagem a Dorothy Stang.

“A terra é fonte de vida para o povo de Deus”. Com esta frase, precedida de imagens da floresta, Dorothy Stang abre o documentário que traça os episódios mais dramáticos da luta que era empreendida por ela no interior da Amazônia. Intitulado “Mataram Irmã Dorothy”, a produção foi exibida ontem (12), no Município de Anapu, a religiosos, assentados, imprensa, membros do Incra, do Ibama, do Governo do Estado, do Ministério Público Federal (MPF) e do Poder Público local.

O evento fazia parte da programação que lembrava os quatro anos da morte da missionária, brutalmente assassinada no dia 12 de fevereiro de 2005. O crime ocorreu dentro do lote 55, incorporado ao PDS Anapu I (Esperança), projeto que Dorothy lutou para criar e implantar. Uma das irmãs da Congregação da Igreja Católica em Anapu lembrava ser muito forte e simbólica a imagem do sangue de Dorothy naquelas terras e que, apesar do episódio fatídico, restava a esperança. A esperança a que fazia menção é a construção de um modelo de desenvolvimento sustentável que promova a inclusão dos pequenos agricultores e a paz no campo.

O documentário registra as primeiras impressões que as pessoas mais próximas a Dorothy faziam do assassinato, como David Stang, irmão dela, também engajado em causas sociais. A produção flagra o emocionante momento em que David recolhia os objetos pessoais de Dorothy, lembrava da família e da vida missionária que ambos planejavam. O espectador segue acompanhando a repercussão do caso na mídia; as opiniões de quem se opunha aos ideais da missionária; a tentativa frustrada de federalização do crime; a atuação dos advogados de defesa dos acusados; do Ministério Público, nos âmbitos estadual e federal; e do Governo brasileiro. Trechos editados de um dos julgamentos mostravam a tensão no embate de versões e a reviravolta em depoimentos.

Terras do Tapajós – Especial Anapu

Capa do "Terras do Tapajós", Especial Anapu

Capa do "Terras do Tapajós", Especial Anapu

Meu 17º filho (rs) nasceu hoje. Estou colocando nas ruas (rs) mais uma edição do boletim impresso que produzo para o órgão onde trabalho. E tenho um carinho especial por este jornal. Dá um trabalhão produzi-lo. Sem falar que diminui o vácuo da informação em se tratando de ações de reforma agrária e regularização fundiária no Oeste do Pará. Atinge formadores de opinião.

O “Terras do Tapajós”, Especial Anapu, foi concebido tendo em vista os quatros anos do assassinato da misssionária americana Dorothy Stang,  crime ocorrido no dia 12 de fevereiro de 2005. Como é notório, a irmã defendeu a bandeira da reforma agrária, que é atribuição do Incra. Para “casar” o momento, que sempre enseja a cobertura da imprensa, homenagens e a avaliação do movimento social acerca do que se evoluiu, decidi produzir esta edição especial. Creio que ajuda no debate e posiciona melhor o Incra perante a sociedade.

Incra anuncia assessoria técnica a 1.680 assentados de Anapu

Mandar este release ainda na sexta-feira (23), minutos após o evento que fazíamos em Anapu (PA), foi uma novela. Pura insistência. Por incrível que pareça, o problema não foi a conexão com a internet – por sinal, estava mais rápida que em Santarém (PA). O computador do cyber não reconhecia minha câmera digital, onde estavam fotos e vídeos necessários à matéria. Só finalizei o texto e despachei o material cerca de uma hora depois. E se não tivesse adiantado a redação um dia antes, provavelmente não haveria tempo hábil para o envio da matéria, tendo em vista que teria de encarar a Transamazônica rumo a Altamira, onde pegaria um vôo para retornar a Santarém. Missão cumprida, eis a sensação de alívio depois de tudo.

O ato também marcou a inauguração da nova sede do órgão no município

23 de janeiro de 2009

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) anunciou, na manhã desta sexta-feira (23), no Município de Anapu, Oeste do Pará, a prestação de Assessoria Técnica, Social e Ambiental (ATES) a 1.680 assentados. O programa será oferecido por uma empresa contratada através de processo licitatório – a Cooperativa dos Profissionais Liberais do Vale do Araguaia (Coopvag) – e pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) do Pará.

Na solenidade, estiveram presentes membros do Ministério Público Federal (MPF), da Comissão Pastoral da Terra (CPT), de entidades representativas de assentamentos em Anapu, da Prefeitura do Município e de órgão federais com atuação na região. Na oportunidade, eles conheceram a nova sede do Posto Avançado do Incra em Anapu, que reforça a presença do Governo Federal em prol da reforma agrária e no combate a atividades ilegais, como a grilagem de terras.

“É um sonho que a gente sempre almejou”, lembra o padre José Amaro, coordenador da CPT, Núcleo Anapu. Além de se mudar para uma sede mais ampla e melhor estruturada, o Incra investe na logística de trabalho. Computadores, aparelhos de gps de precisão e uma pick-up foram adquiridos para melhorar a atuação dos servidores.

“Hoje, o Estado está aqui [Anapu] em melhores condições. O MPF vai permanecer em contato com o Incra para a implementação da reforma agrária na região”, completa o procurador da República em Altamira (PA), Rodrigo Timóteo.

PDS Esperança é atendido
Os contratos com a Coopvag, assinados no último dia 9 e com vigência inicial de 12 meses, prevêem um investimento em ATES no valor de R$ 587.460. Serão atendidas 754 famílias, que estão distribuídas entre os Projetos de Assentamentos Grotão da Onça e Pilão Poente II e III e os Projetos de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Anapu I (Esperança), Anapu III e Anapu IV.

Nos contratos com a Coopvag, há ainda R$ 61.500 para a elaboração de planos de recuperação dos assentamentos Grotão da Onça e Pilão Poente II e III.

Já a Emater prestará assessoria técnica a 925 famílias do Projeto de Assentamento Pilão Poente II e III. O Incra deve assinar até março um convênio com a empresa para viabilizar os trabalhos, uma reivindicação do movimento social para qualificar os assentamentos em Anapu.

O superintendente regional do Incra em Santarém, Luciano Brunet, informou que as prestadoras de ATES, em conjunto com os trabalhadores rurais, estão focadas no licenciamento ambiental e na discussão das vocações dos assentamentos.