Impressões – Sairé 2008

Veja fotos do Boto Cor-de-Rosa, campeão de 2008 - http://luisgustavocorporativo.wordpress.com/2008/09/14/boto-cor-de-rosa-saire-2008/

Um dos maiores patrimônios de um povo é a cultura, a sua história. A nação que se comporta de maneira contrária não tem identidade. Conhecer e viver na Amazônia é sentir o quanto o Brasil é rico e diverso. O festival dos botos, da forma como é visto hoje, embora uma invenção do “homem branco”, tem seus méritos. O maior ganho para o povo da região não se mede em números, digo, em quantidade de pessoas que visitaram o Sairódromo, em volume de dinheiro em circulação na vila de Alter do Chão, em cotas de patrocínio, etc. O lucro maior tem valor simbólico, portanto, subjetivo: a preservação da história de vida dos povos indígenas e das riquezas naturais. É algo que não se enxerga a curto, mas a longo prazo. São capítulos que se escrevem e não se apagam no rol de representações que os mocorongos – leia-se santarenos – fazem de si mesmo.

O mercado
Do ponto de vista mercadológico, digamos que o Sairé ainda necessite se aprimorar, até porque tem concorrentes vizinhos fortes: o Festribal, em Juruti (PA), e a disputa dos bois Garantido e Caprichoso, em Parintis (AM). Alegorias e fantasias mais ricas; disciplina na evolução e na coreografia; investimento em publicidade nacional; qualidade no atendimento ao público; entre outros pontos merecem ser observados. Entretanto, a criatividade e a alegria do brasileiro não deixam a peteca cair. E se for para se tornar um evento recheado de elementos “fake”, talvez seja melhor permanecer como tal. Talvez a beleza disso tudo esteja mesmo na simplicidade, em tudo o que se faz e se vê. Pra que mesmo asfalto e ferro, quando a piçarra, a areia e a madeira reforçam o caráter rústico da vila?

A festa
Confesso que imaginava o espaço interior do Sairódromo bem maior. Não saberia dizer quantas pessoas cabem nas arquibancadas, mas é perceptível o extremo entre o público que permanece do lado de fora e o de dentro. Se bem que o engajamento do santareno na festa ainda não parece grande. Não existe um acirramento entre as torcidas, não se vêem sinais de Tucuxi e Cor-de-Rosa pela cidade… Minha impressão é que a presença de muitos jovens se justifica pelo interesse em paquerar e pelos shows nacionais. Do lado de dentro, o campeão Cor-de-Rosa me pareceu mais criativo na decoração de sua arquibancada – para entrar no Sairódromo, antes, devemos escolher a que torcida iremos integrar. Havia bandeiras, chapéus de palha e lamparinas recicladas na interação do apresentador do boto com a torcida. O Tucuxi, que tinha menos público na sexta, iniciou tímido, possuía alegorias e fantasias mais modestas, porém, cresceu e encerrou a apresentação com empolgação maior, embora não tenha levado o título.

Boto Cor-de-Rosa – Campeão – Sairé 2008

Boto Tucuxi – Sairé 2008

Só para matar logo a curiosidade dos leitores que chegam até este blog à procura de notícias e imagens do Sairé. Depois, escrevo algo sobre as impressões de ontem (12).

Obs: Até amanhã. posto a galeria da apresentação do Boto Cor-de-Rosa

Questão de Imagem – Sairé 2008

Cartaz de um camarote no Sairé 2008

Cartaz de um camarote no Sairé 2008

A beleza da modelo é incontestável, mas digamos que a escolha não foi tão feliz. O Sairé é um festival cujas raízes remontam à cultura indígena, mais especificamente às tribos borari, como, então, uma mulher de pele clara e loira pode representar simbolicamente a festa?

Estrutura – Sairé

A esta altura, já deve estar tudo pronto para o Sairé 2008, até porque restam algumas horas para a abertura das apresentações. O festival ocorre numa praça cujo movimento é grande apenas nesta época. No domingo, visitei as instalações. As barracas seguem um estilo rústico, de palha. O Sairódromo propriamente dito já estava quase todo montado, arquibancadas, palco e camarotes.

Obs: Peço desculpas por não ter publicado as fotos do ensaio do boto Tucuxi, como havia prometido. Não foi possível acompanhar.

Rumo a Alter em clima de Sairé

Neste domingo (7), fui à praia de Alter do Chão para sentir o espírito pré-Sairé. A estrada, quase sempre um teste de suspensão e de qualidade para qualquer som automotivo, teve leve melhora. Obras estão em curso. Uma camada de asfalto foi colocada no primeiro trecho da estrada, que era o pior, e em alguns outros. Não é um serviço do qual tenha que se estourar foguetes, mas alivia o desconforto na viagem. Para os moradores da cidade de Santarém e turistas, fica a esperança de uma obra de recapeamento consistente. Fizemos o percurso vila-área urbana de Santarém em 25 minutos.