A mídia social e o fim do press release

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Nos últimos 14 anos, o mundo da informação mudou mais rápido do que nas décadas anteriores. Desde então, o analógico vem dando lugar ao digital em todos os setores. E a comunicação passa por um processo de reestruturação, pois no momento em que o press release completou 100 anos (2006), o que era sólido desmanchou-se no ar.

O que aconteceu? A evolução da internet, conhecida como web 2.0, revolucionou as formas de comunicação das pessoas e das corporações.

Hoje vivenciamos fenômenos como o Twitter, o microblog que permite que um cidadão comum faça chegar uma informação em tempo real, a qualquer lugar do mundo, em segundos.

Recentemente ele foi usado para alardear a morte de Michael Jackson, que seria confirmada pela mídia tradicional somente horas mais tarde.

Uma pesquisa realizada em julho de 2009 pela agência de comunicação Burson-Marsteller comprova que uma notícia divulgada no Twitter demora cerca de uma hora para aparecer em uma publicação online e pelo menos duas horas para sair nas emissoras de rádio.

Leia a íntegra do texto de Fernanda Domingues no Webinsider.

Eu não seria tão apocalíptico ao ponto de decretar o fim do release, mas o texto suscita um debate interessante. O mundo em que vivemos, com o emprego crescente das NTIC, mudou o perfil do leitor/consumidor/cidadão. Ele é mais ativo, dinâmico e questionador.

Trabalhar apenas com release pressupõe que este leitor/consumidor/cidadão apenas absorva conteúdo, sem possibilidade de opinar, sugerir, enfim, interagir. As empresas avançam mais rápido neste sentido em relação à esfera governamental, que possui ASCOM’s e gestores bem mais conservadores.

Entender o novo leitor/consumidor/cidadão e atender a seus anseios, por outro lado, exige departamentos de Comunicação mais qualificados e robustos. Infelizmente, muitas empresas e muitos órgãos públicos entendem o comunicador apenas como aquele que envia release, realiza eventos e/ou compra espaços nos meios de comunicação.

A voz dissonante do STF

O STF escreve um capítulo triste na história do Jornalismo e da Comunicação no Brasil. Põe fim à obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. Dos ministros do Supremo, apenas um, Marco Aurélio, defendeu os conhecimentos acadêmicos como condição para o exercício do jornalismo. Com sensatez e razoabilidade, ele foi a voz dissonante na mais alta corte do país.

Divergência

Ao abrir divergência e votar favoravelmente à obrigatoriedade do diploma de jornalista, o ministro Marco Aurélio ressaltou que a regra está em vigor há 40 anos e que, nesse período, a sociedade se organizou para dar cumprimento à norma, com a criação de muitas faculdades de nível superior de jornalismo no país. “E agora chegamos à conclusão de que passaremos a ter jornalistas de gradações diversas. Jornalistas com diploma de curso superior e jornalistas que terão, de regra, o nível médio e quem sabe até o nível apenas fundamental”, ponderou.

O ministro Marco Aurélio questionou se a regra da obrigatoriedade pode ser “rotulada como desproporcional, a ponto de se declarar incompatível” com regras constitucionais que preveem que nenhuma lei pode constituir embaraço à plena liberdade de expressão e que o exercício de qualquer profissão é livre.

“A resposta para mim é negativa. Penso que o jornalista deve ter uma formação básica, que viabilize a atividade profissional, que repercute na vida dos cidadãos em geral. Ele deve contar com técnica para entrevista, para se reportar, para editar, para pesquisar o que deva estampar no veículo de comunicação”, disse o ministro.

“Não tenho como assentar que essa exigência, que agora será facultativa, frustando-se até mesmo inúmeras pessoas que acreditaram na ordem jurídica e se matricularam em faculdades, resulte em prejuízo à sociedade brasileira. Ao contrário, devo presumir o que normalmente ocorre e não o excepcional: que tendo o profissional um nível superior estará [ele] mais habilitado à prestação de serviços profícuos à sociedade brasileira”, concluiu o ministro Marco Aurélio.

Fonte: site do STF
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Comentário – Revista Imprensa

Há tempos adiava a postagem de um comentário meu que fora publicado na Revista Imprensa, edição de novembro de 2008. Recebi a revista somente em janeiro de 2009. Não vale a pena assinar revistas morando em Santarém. Problemas desse tipo chegam a ser comuns. O comentário (clique aqui e veja) trata de uma matéria que rendeu bastante: “Blogueiro não é jornalista”.

A Sete Palmos

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Com o título original “Sex Feet Under”, a série americana “A Sete Palmos “é uma boa dica para quem curte drama e humor sarcástico.  É essa a impressão que me causa após assistir aos dois primeiros discos da primeira temporada. Os episódios se desenvolvem a partir da morte de pessoas cujos enterros serão realizados pela funerária “Fisher and Sons”.  Morre o patriarca da família detentora da empresa e, a partir daí, surgem de forma mais clara as agruras individuais.

A viúva, conservadora, vivia infeliz e num casamento que já não a realizava, tanto que a fez abandonar alguns princípios  e manter uma relação extraconjugal.

Nathaniel, filho do casal, fugiu da vida fúnebre da família, mas retorna com a morte do pai. É o mais liberal e desencanado, embora também tenha seus dramas.

Dave, outro filho, esquiva-se, mas não evita o conflito entre uma vida regrada, religiosa e conforme os padrões da sociedade americana e a sua orientação sexual.

Claire é a mais jovem entre os filhos. Está confusa, rejeita os planos que toda família tem para os jovens – estudar e ser um profissional bem-sucedido -, experimenta drogas e não tem uma boa convivência com a mãe, com a qual vai  ao analista periodicamente.

Há ainda Brenda, namorada de Nathaniel. Independente, bem resolvida, cética, ávida por sexo, irmã de um bipolar e filha de um casal de psicólogos liberais.

Após quatro dias, desocupada sede do Incra em Santarém (PA)

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Passados quatro dias, está encerrada a ocupação no prédio do Incra em Santarém. A decisão foi tomada pelos trabalhadores rurais no final da manhã de hoje. O trânsito, que estava parcialmente interditado numa das principais avenidas da cidade, já foi completamente liberado.

Imagino que o término da ocupação tenha sido um alívio para todos, afinal, é um teste de resistência para os personagens envolvidos. Para dar um exemplo, ontem ocorreu o ápice das negociações, numa reunião que durou cerca de sete horas e encerrou perto de meia-noite.

Da ASCOM, exige-se prontidão, jogo de cintura, estratégia, decisões rápidas e sintonia com a direção do órgão. Mas nem sempre tudo sai como a gente planeja, tendo em vista a dinâmica da situação e as diversas pessoas nela envolvidas. No geral, creio que foi possível atender de forma organizada e célere a imprensa.

Desde segunda-feira, emiti seis notas, a primeira delas antes da presença de qualquer veículo no Incra. Foi um teste que fiz e creio que vá manter esta postura em situações similares. Algumas assessorias utilizam essa estratégia. Veja o caso da Petrobras, que, quando um funcionário é vítima fatal de acidente de trabalho, a empresa toma a iniciativa de informar a imprensa do fato e das providências da empresa.

No caso do Incra, informei da existência de uma manifestação e que o Incra já havia constituído uma comissão para dialogar com os representantes dos trabalhadores rurais. Daí em diante, aguardei o desenrolar dos fatos novos para emitir notas. Para complementar, concedemos nove entrevistas até o momento, algumas delas não-programadas – é a tal imprevisibilidade dos fatos.

O sucesso de uma boa Comunicação em momentos de crise, entretanto, não depende apenas da ASCOM. É preciso que os gestores do órgão/empresa tenham êxito em apresentar soluções rápidas e disposição em dialogar.

06/03/09
6º Informe – 12h11
Os trabalhadores rurais que estavam mobilizados na Superintendência Regional do Incra em Santarém estão desocupando a sede do órgão. A decisão foi tomada, há poucos minutos, em assembléia realizada em frente à autarquia. As lideranças do movimento chegaram a um entendimento com gestores do Incra e do Governo do Estado do Pará, com os quais estiveram reunidos ontem, por sete horas. Na oportunidade, foram prestados diversos esclarecimentos e definidos encaminhamentos no sentido de atender as reivindicações dos assentados. Entre os temas mais debatidos, estavam o licenciamento ambiental dos assentamentos, que está em curso, e a aplicação de recursos para incentivar a produção e melhorar a infra-estrutura. Um acordo entre as partes permitiu a elaboração de um calendário de ações.

Com o fim da ocupação, o Incra retoma o atendimento ao público na próxima segunda-feira (9).

06/03/09
5º informe – 1h15
Os trabalhadores rurais que ocupam a Superintendência Regional do Incra em Santarém realizam nesta sexta-feira (6), a partir das 8 horas, uma assembléia. Eles decidem se deixam as dependências do prédio, ocupado desde a última segunda-feira (2). A assembléia, que ocorrerá em frente à sede do Incra, foi marcada ontem, em reunião na Casa de Cultura. O encontro teve a presença do presidente substituto e diretor de Gestão Estratégica do Incra, Roberto Kiel; do superintendente regional do Incra em Santarém, Luciano Brunet; do chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Cláudio Puty; do diretor de Controle e Qualidade Ambiental da Sema, Paulo Alves; de lideranças do Sintraf, da Fetraf e de comunidades em assentamentos localizados em doze municípios.

Durante cerca de sete horas, gestores do Incra e do Governo do Estado responderam questões relacionadas às demandas apresentadas pelo movimento de trabalhadores rurais. Entre os assuntos, estava o processo de licenciamento ambiental dos assentamentos, que está em curso; os investimentos na construção e recuperação de estradas vicinais, cujas obras estão marcadas para iniciar com o fim do período chuvoso; e a aplicação dos Créditos Apoio Inicial e Aquisição de Material de Construção.

03/03/09
4º informe – 10h40
O juiz federal Francisco de Assis Garcês Castro Júnior determinou a desocupação do prédio da Superintendência Regional do Incra em Santarém. A liminar foi concedida ontem. A autarquia, que ajuizou, por meio da Procuradoria Jurídica, uma ação de reintegração de posse, tomou conhecimento hoje (3) da decisão. Os representantes do movimento já foram informados do fato pelo Incra. Caso decidam desocupar o prédio por iniciativa própria, a ação perde o objeto.

O superintendente regional do Incra em Santarém, Luciano Gregory Brunet, chega hoje à tarde a Santarém para negociar diretamente com os manifestantes.

02/03/09
3º informe – 16h30
O superintendente regional do Incra em Santarém, Luciano Brunet, tem feito contatos telefônicos para se manter a par do movimento de trabalhadores rurais. Eles permanecem ocupados na sede do órgão. “Vamos procurar chegar a um entendimento. Esta é a palavra de ordem do Incra. Esperamos que tudo possa ser resolvido rapidamente”, afirma Brunet.

O superintendente está em Juruti numa reunião que discute a implantação do projeto de mineração da Alcoa e a repercussão do empreendimento na vida das famílias que vivem no Projeto Agroextrativista Juruti Velho. A ida de Luciano Brunet a Juruti estava agendada antes da manifestação de trabalhadores rurais. A pauta do movimento já foi encaminhada para a Presidência do Incra, em Brasília, e está sendo analisada pela Superintendência.

Brunet cogita voltar a Santarém nesta terça-feira (3).

2º informe – 12h30
Os representantes dos trabalhadores rurais que realizam a manifestação na sede da Superintendência Regional do Incra em Santarém foram recebidos, na manhã de hoje, por uma comissão do órgão. Na oportunidade, foi recepcionada a pauta de reivindicações. Inicialmente, a mobilização ocorria em frente à sede da Superintendência. Neste momento, o prédio está ocupado; os trabalhadores rurais asseguram que será preservada a integridade do patrimônio público. O diálogo entre o Incra e os trabalhadores continua aberto. Os servidores foram liberados, e o atendimento segue suspenso.

1º informe – 11h
Trabalhadores rurais realizam uma manifestação em frente à Superintendência Regional do Incra em Santarém. O atendimento na sede do órgão fica suspenso temporariamente. A direção da autarquia instituiu uma comissão para dialogar com os representantes do movimento. O superintendente regional, Luciano Gregory Brunet, encontra-se no Município de Juruti, onde dá prosseguimento às negociações que envolvem a Alcoa e os comunitários do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Juriti Velho.

Cinema em casa – Invasion, Jericho e Quinta Geração

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Feriadão de séries americanas. Resolvi arriscar em produções que eu desconhecia. Sabe quando você chega à locadora sem referências e escolhe os dvd’s pela capa e pela sinopse – suspeita – do verso? Foi assim que levei para casa “Invasion”, “Jericho” e “Quinta Geração”. Comecei por esta última série, mas não assisti nem ao primeiro episódio completo. De cara, locações, efeitos e texto não me agradaram.

“Invasion”, que é exibida nas madrugadas pelo SBT, tem padrão de qualidade bem melhor. Aborda um tema que, embora não seja novo e chega a parecer ridículo quando pautado pela imprensa, desperta-me a curiosidade na ficção: forças sobrenaturais que causam pânico nos seres humanos. O primeiro dvd da série, que contém quatro episódios, insinua, mas não ainda não revela que tipo de criatura está mudando o cotidiano de uma pequena e pacata cidade americana.

Um acidente envolvendo uma aeronave das Forças Armadas dos Estados Unidos, derrubada durante um furacão, é o gancho de “Invasion”. Até que os destroços sejam encontrados, a população vive a tensão de um outro fenômeno da natureza que provoca destruição e, aos poucos, traz consigo novos seres aos lagos da região e uma doença contagiosa e letal.

“Jericho” também segue na linha de uma cidade do interior dos Estados Unidos atingida por algo inesperado e misterioso. Na semelhança também o fato de o primeiro dvd provocar dúvidas acerca do que está acontecendo. A principal diferença reside no fato de que os primeiros episódios de “Jericho” trabalham com uma suspeita mais real e contemporânea: um ataque terrorista de grande proporção, com o uso de bombas atômicas, oriundas de países rivais, como Coréia do Norte e China. O desenrolar da trama, porém, pode surpreender.

Tanto “Invasion” quanto “Jericho” causaram-me interesse em assistir aos demais episódios.