A árvore da vida

O que falar deste filme? Fisicamente, após a cena final, eu senti arrepios. rs. As imagens e a trilha sonora – música instrumental clássica – nos carregam de corpo e alma. É um filme que permite múltiplas interpretações: faz uso de metáforas, ‘takes’ abstratos, passagens bíblicas, trama descontinuada, etc. Faz a gente parar e pensar no verdadeiro sentido da vida e nas antíteses cotidianas: pautar-se por preceitos religiosos ou seguir a lógica da sociedade do consumo, que só valoriza o acúmulo de bens, status e poder. É o que persegue o personagem de Brad Pitt, embora sua família seja bastante religiosa.

O personagem de Sean Penn, o filho mais velho da trama na fase adulta, vaga por cenários urbanos e paisagens surreais, como que procurando entender o sentido de sua existência. O que me parece mais um elemento de antítese do filme.

Em diversos momentos, “A Árvore da Vida” também é uma crônica cotidiana, embora repleta de entrelinhas, de um jovem casal: logo vêm os filhos, os quais, especialmente o mais velho, vivem o dilema de amar o pai e odiá-lo por sua rígida educação. Num momento adverso da vida, o personagem de Brad Pitt se questiona acerca de suas imposições enquanto pai.

Os personagens se reportam a Deus, mas a história utiliza elementos da teoria evolucionista, mais um aspecto díspare.

“A Árvore da Vida” concorre ao Oscar 2012 de melhor filme, fotografia e diretor.

Título original: (The Tree of Life)
Lançamento: 2011 (EUA)
Direção: Terrence Malick
Atores: Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chastain, Fiona Shaw.
Duração: 138 min
Gênero: Drama
Status: Em cartaz

“Budrus”, a luta pacífica de um povo

“Budrus” é um documentário cru em se tratando de linguagem audiovisual. Percebemos pouca preocupação com ‘ângulos perfeitos’ – provavelmente proposital em razão da temática de conflito – e a fotografia se destaca mesmo nos últimos ‘takes’, quando palestinos do vilarejo que dá nome à produção se revoltam e destroem, parcialmente, cercas instaladas por israelenses. A cena ocorre ao pôr do sol, quando somente era possível enxergar a silhueta dos manifestantes.

O mote do documentário é a mobilização das cerca de 1.500 famílias do vilarejo contra a construção de um novo ‘muro de Berlim’, que, conforme os planos israelenses, iria adentrar por terras palestinas e destruir oliveiras centenárias. Aquele povo tem uma relação muito forte com essas árvores: há muitas gerações, as oliveiras permitem a sobrevivência da comunidade. A relação era tão íntima que elas recebiam os nomes de familiares.

Para construir o muro, israelenses queriam destruir as oliveiras, de modo a abrir caminho. Pacificamente, aquelas famílias palestinas começaram a se reunir e promover pequenos atos de protesto contra a retirada das oliveiras e a ocupação de suas terras. Era essa a principal motivação do povo de Budrus.

Inicialmente, somente homens colocavam-se de frente contra o Exército israelense, mas à medida que as máquinas avançavam sobre as oliveiras e as terras de Budrus, a revolta aumentava e compelia as mulheres e os jovens para o front. É impressionante a coragem das mulheres, que confrontavam os militares de perto.

Também é interessante no confronto exibido pelo documentário o fato da tropa israelense ser comandada por uma mulher, que se vê dividida entre a tarefa de abrir caminho para o muro e as razões para construi-lo, sem falar em temer o uso de violência contra outras mulheres e até israelenses que apoiavam a luta do povo palestino.

“Budrus”, embora seja o recorte de um microcosmo, é um documentário que ajuda a compreender o histórico conflito entre israelenses e palestinos.

Assisti ao “Budrus” neste domingo (5). Recomendado!

Ficha Técnica

Estado: Em DVD

Título Original: Budrus

Gênero:Documentário, Guerra, História

Direção:Julia Bacha

Estreia no Brasil: 2009

Estreia Mundial: 2009

Duração: 70 minutos

A Sete Palmos

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Com o título original “Sex Feet Under”, a série americana “A Sete Palmos “é uma boa dica para quem curte drama e humor sarcástico.  É essa a impressão que me causa após assistir aos dois primeiros discos da primeira temporada. Os episódios se desenvolvem a partir da morte de pessoas cujos enterros serão realizados pela funerária “Fisher and Sons”.  Morre o patriarca da família detentora da empresa e, a partir daí, surgem de forma mais clara as agruras individuais.

A viúva, conservadora, vivia infeliz e num casamento que já não a realizava, tanto que a fez abandonar alguns princípios  e manter uma relação extraconjugal.

Nathaniel, filho do casal, fugiu da vida fúnebre da família, mas retorna com a morte do pai. É o mais liberal e desencanado, embora também tenha seus dramas.

Dave, outro filho, esquiva-se, mas não evita o conflito entre uma vida regrada, religiosa e conforme os padrões da sociedade americana e a sua orientação sexual.

Claire é a mais jovem entre os filhos. Está confusa, rejeita os planos que toda família tem para os jovens – estudar e ser um profissional bem-sucedido -, experimenta drogas e não tem uma boa convivência com a mãe, com a qual vai  ao analista periodicamente.

Há ainda Brenda, namorada de Nathaniel. Independente, bem resolvida, cética, ávida por sexo, irmã de um bipolar e filha de um casal de psicólogos liberais.

Cinema em casa – Invasion, Jericho e Quinta Geração

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Feriadão de séries americanas. Resolvi arriscar em produções que eu desconhecia. Sabe quando você chega à locadora sem referências e escolhe os dvd’s pela capa e pela sinopse – suspeita – do verso? Foi assim que levei para casa “Invasion”, “Jericho” e “Quinta Geração”. Comecei por esta última série, mas não assisti nem ao primeiro episódio completo. De cara, locações, efeitos e texto não me agradaram.

“Invasion”, que é exibida nas madrugadas pelo SBT, tem padrão de qualidade bem melhor. Aborda um tema que, embora não seja novo e chega a parecer ridículo quando pautado pela imprensa, desperta-me a curiosidade na ficção: forças sobrenaturais que causam pânico nos seres humanos. O primeiro dvd da série, que contém quatro episódios, insinua, mas não ainda não revela que tipo de criatura está mudando o cotidiano de uma pequena e pacata cidade americana.

Um acidente envolvendo uma aeronave das Forças Armadas dos Estados Unidos, derrubada durante um furacão, é o gancho de “Invasion”. Até que os destroços sejam encontrados, a população vive a tensão de um outro fenômeno da natureza que provoca destruição e, aos poucos, traz consigo novos seres aos lagos da região e uma doença contagiosa e letal.

“Jericho” também segue na linha de uma cidade do interior dos Estados Unidos atingida por algo inesperado e misterioso. Na semelhança também o fato de o primeiro dvd provocar dúvidas acerca do que está acontecendo. A principal diferença reside no fato de que os primeiros episódios de “Jericho” trabalham com uma suspeita mais real e contemporânea: um ataque terrorista de grande proporção, com o uso de bombas atômicas, oriundas de países rivais, como Coréia do Norte e China. O desenrolar da trama, porém, pode surpreender.

Tanto “Invasion” quanto “Jericho” causaram-me interesse em assistir aos demais episódios.

Pecados Inocentes, Christine F. e Menina Má.Com

Não sou um cinéfilo, mas, aos finais de semana, tenho cultivado o hábito de assistir a filmes. Seguem comentários – de um leigo – acerca dos últimos que vi.

pecados_inocentesPecados Inocentes (lançamento nas locadoras)
Ideal para não-conservadores. Bastidores de uma família aparentemente normal perante as regras estabelecidas para a alta sociedade. Entretanto, a separação de um casal gera uma série de fatos que, no transcorrer do filme, revelam-se sem pudor e perturbadores. Traição, homossexualidade, incesto, entre outros temas, aparecem na produção. O reflexo se vê no desfecho do filme, que é baseado numa história real.

christine_f”Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída”
Filme alemão. Cenário: Berlin na década de 70. Atriz adolescente como protagonista. Trata das perversões de jovens que se tornam viciados em drogas. Contém cenas fortes. A fotografia  transmite a sensação dos personagens transitarem por um submundo.

menina_maMenina Má.com
Suspense psicológico. Diálogos longos. Roteiro circula entre dois personagens: um fotógrafo pedófilo e uma adolescente que se coloca como justiceira. Em diálogos pela internet, ela se finge de boa moça e seduz a sua vítima, com a qual realiza jogos perversos. Intenso, mas não esperem o ritmo de uma ficção científica.

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