Nota do blogueiro
Esta é uma discussão bastante atual. Isso porque continua crescente a audiência e a influência da web e surgem novos dispositivos – e móveis – que ampliam o interesse do público pelo consumo de conteúdo digital. As publicações impressas, interessadas em obter formas alternativas de renda e se firmarem nesse novo contexto da mídia, têm elaborado aplicativos que lhes permitem vender conteúdo. A loja de aplicativos da Apple, Itunes, é a preferida do momento. A explicação é óbvia: o Ipad é, disparado, o tablet mais vendido no mundo. Entretanto, o avanço de marcas concorrentes, que têm optado pelo sistema operacional do Google, o Android, pode dar novos rumos ao mercado.
Enquanto o Android não obtém um pedaço significativo do mercado, o sucesso do tablet da Apple se sustenta na loja de aplicativos que o serve.
Exemplos de publicações brasileiras disponíveis na loja Android Market.
Revista Istoé
Istoé Dinheiro
Revista Época
Revista Veja
Exemplos de publicações brasileiras disponíveis na Apple appstore
O Globo
Folha de São Paulo
Auto Esporte
Istoé Dinheiro
Revista Galileu
Revista Época
Revista Veja
Veja entrevista com a presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Judith Brito, sobre a venda de conteúdo para Ipad. Fonte: site Propmark.
Por que a ANJ não concorda com a Apple em relação ao iPad?
- A posição da ANJ, e de praticamente todos os produtores de conteúdo no mundo, não se refere ao equipamento físico, ao “tablet” conhecido como iPad. O problema está na loja da Apple, por onde é preciso passar para baixar os aplicativos, gratuitos ou pagos, e também está nas condições impostas por esta loja para a comercialização das edições pagas.
Qual o pomo da discórdia?
- Pelo enorme sucesso de vendas do iPad, a Apple se considera capaz de impor condições aos jornais e produtores de conteúdo em geral. Não está claro se essas condições são as mesmas para todos, mas, ao que parece, a Apple cobra 30% de comissão sobre todas as transações e não permite a venda, dentro do aplicativo, de outros produtos do veículo. Além disso, a Apple exige que o comprador dê uma autorização para que ela repasse ao veículo os dados cadastrais deste mesmo comprador enquanto ela, obviamente, fica de posse destes dados.
Jornais brasileiros e europeus entendem que iPad é uma plataforma de distribuição?
- Sem dúvida o iPad é uma plataforma de distribuição. Junto com as dezenas de “tablets” que estão sendo lançados no mundo, serão utilizados por todos os produtores de conteúdo hoje impressos. A mobilidade que esses aparelhos permitem e sua “interface” amigável com o usuário são seus grandes diferenciais em relação às alternativas existentes.
Essa exigência inviabiliza o relacionamento dos jornais com o equipamento da Apple?
- Não inviabiliza, tanto que há muitas opções oferecidas aos usuários. Haverá produtores de conteúdo que irão aceitar as condições da Apple. No entanto, as grandes marcas mundiais dificilmente aceitarão tais limitações. A curto prazo, a Apple tem como bancar a queda de braço com os produtores. Mas a concorrência certamente obrigará a Apple a flexibilizar suas condições técnicas e comerciais. Virá a concorrência de “tablets” com outros sistemas operacionais, como o Android e o Windows 7, e o aparecimento de outras lojas. Veja o lançamento recente da loja da Amazon para dispositivos móveis Android. Isso sem falar das ações judiciais contra a Apple que começam a acontecer em alguns países.
Esse problema atinge outros tablets ou só o iPad?
- O problema não é do equipamento e sim da loja que comercializa o aplicativo. Se um veículo optar por utilizar um “site” ao invés de um aplicativo, ele poderá estar presente no iPad ou qualquer outro dispositivo móvel sem passar por qualquer loja.
Como deve ser o modelo?
- Não haverá um modelo único. Os produtores negociarão com as lojas – exclusivas de determinado equipamento ou não – as condições mais adequadas para seu caso. Haverá condições diferentes, dependendo de volumes de vendas de edições e assinaturas.
E como fica a questão da publicidade? Como é a divisão entre jornais e iPad?
- Não é lógica a tentativa de participação das lojas na veiculação comercial, assim como as bancas de jornais não participam da veiculação de jornais e revistas. Dificilmente um modelo com este vai prevalecer, pois, o que um grupo de comunicação cobra por um anúncio é impossível de ser controlado.
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