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Culinária e manifestações folclóricas paraenses. O swing e o tempero caboclos. A caminho da praia mais bela do Brasil – Alter do Chão, eleita pelo jornal britânico The Guardian -, santarenos e turistas têm a oportunidade de imergir um pouco mais na cultura amazônida. Pelo quarto ano, comunitários do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Eixo Forte se uniram para promover o Festival do Tacacá, que iniciou no sábado e encerra hoje (5).
O tacacá, comida típica do Estado do Pará, é servido em abundância pelos agricultores familiares. Ana Pedroso Peixoto, 65 anos, assentada do PAE Eixo Forte, expressa, nos traços do rosto e no dom de manipular a mandioca, uma tradição que remonta aos povos indígenas. É com prazer que ela transmite aos mais jovens da família os segredos da extração do tucupi. “Para ser um tucupi especial, tem de ser natural, sem misturas, tirado da mandioca pura, aí, ele vai mostrar sua qualidade”, revela. O líquido amarelado é a base do tacacá.
Para agradar o paladar dos visitantes, Dona Ana conta que começou a trabalhar quatro dias antes do festival, “apurando”, como ela mesma fala, o tucupi extraído da mandioca. “Eu comecei a preparar na terça-feira. Todos os dias, eu fervia. Hoje [sábado], pus todos os temperos para ele ficar bem gostoso”, lembra, sorridente.
Nas barracas ornamentadas de forma rústica, o tacacá ganhava as misturas que o complementam: a goma, obtida a partir da tapioca, o camarão e o jambu, uma erva. Servido quentinho, em cuias customizadas para o festival, o tacacá de São Braz provocava prazer em quem o provava.
Cultura viva
Enquanto degustava o tacacá, o público assistia aos jovens da comunidade exibirem a sensualidade e a alegria do carimbó. Já as candidatas a Rainha do Tacacá carregavam o talento das artesãs locais em roupas confeccionadas a partir de produtos da floresta.
O festival também marcou o resgate de uma manifestação artística que surgiu em São Braz em 1955: a dança do pelicano. Mesmo sob improviso, Irlando Corrêa Pedroso conduzia a performance. Sob as vestes de um sacaca, uma espécie de curandeiro, ele transmitia a mensagem de preservação ambiental ao defender o pelicano do ataque do homem.
Trabalho coletivo que dá resultado
O Festival do Tacacá, que já faz parte do calendário de eventos de Santarém, mobiliza e incentiva a produção da comunidade de São Braz, onde residem aproximadamente 150 famílias. “Além de integrar a comunidade, o objetivo é fazer com que as pessoas vivam do agroextrativismo, no caso, através da mandioca e de um de seus derivados, o tucupi. Divulgamos a nossa culinária e a produção agrícola e queremos permanecer na nossa terra, produzindo e colhendo”, afirma o coordenador do festival, Madson Costa.
O presidente do Conselho Comunitário de São Braz, Izenildo Pedroso, informa que a arrecadação obtida com o festival será empregada na melhoria de espaços sociais em São Braz.
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