Internet mais perto de chegar ao campo

Português: Ministro das Comunicações do Brasil...

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O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, estará nesta quinta-feira, 16 de fevereiro, na cidade paranaense de Morretes, a 74 quilômetros de Curitiba, onde vai ser lançado o projeto-piloto de testes de uso da faixa de 450 MHz para levar serviços de telecom ao campo. A estimativa é que mais de 24 milhões de pessoas em todo o Brasil sejam beneficiadas pelo sistema depois que a tecnologia começar a ser efetivamente implementada.

Dentro da política do Governo Federal de ampliação do acesso aos serviços de telecomunicações, a faixa de 450 MHz foi destinada para o atendimento rural e áreas remotas, devido a sua característica técnica de possibilitar a cobertura de grandes extensões geográficas com menor custo. A estimativa é que a velocidade da conexão de dados seja de aproximadamente 300 kbps.

“Nós vamos testar o funcionamento da rede de 450 MHz. Então, veremos como vai se comportar a conexão para decidir como trabalhar no uso da freqüência”, afirma o ministro Paulo Bernardo.

O decreto nº 7.512/2011, assinado em junho do ano passado pela presidenta Dilma Rousseff, estabeleceu metas de universalização para serviços de telecomunicações. O decreto determina que o uso da faixa de 450 MHz deve promover a ampliação dos serviços de telecomunicações de voz e de dados nas áreas rurais e nas regiões remotas e fornecer banda larga, de forma gratuita, a todas as escolas públicas rurais situadas na área de prestação do serviço. A abrangência geográfica desses serviços deve ser de 30 quilômetros a partir da mancha urbana da cidade, em direção à área rural.

Os testes serão realizados nos municípios paranaenses de Morretes, Antonina e Realeza, além de Manaus e Brasília (localidades selecionadas por possuírem diferentes aspectos geográficos), e demonstrarão a importância da faixa de 450 MHz para levar telefonia fixa, telefonia móvel e banda larga para a população rural do Brasil.

O projeto-piloto de uso da faixa será realizado pela a empresa Oi, para verificar o comportamento da faixa em termos de capacidade de cobertura e velocidade de tráfego de dados em diferentes condições de campo.

O edital de licitação da faixa de 450 MHz deverá ser publicado em abril deste ano, pela Anatel, e o leilão deverá ocorrer no mês de maio.

Fonte: Ministério das Comunicações

Do blog: Algumas poucas áreas rurais do país têm acesso à internet. De fato, faz-se necessária uma política pública voltada a atender ao segmento da população que vive nesses locais. Da minha vivência no Oeste do Pará, tenho conhecimento do acesso à internet em parte da Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns, em Santarém, através do sinal da Vivo, e no Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Juruti Velho, Município de Juruti (PA).

A criança adormecida

Rubem Alves

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“A luz toca a retina e a imagem se forma em algum lugar do cérebro. Igual ao que acontece com a máquina fotográfica. Mas há um outro ver que não é coisa dos olhos. Como quando se contempla uma criança adormecida. A visão de uma criança adormecida nos acalma. Faz-nos meditar. O olhar se detém. Acaricia vagarosamente. O olhar se torna, então, uma experiência poética de felicidade. Sentimos que a criança que vemos dormindo no berço dorme também na nossa alma. E a alma fica tranquila, como a criança. É por isso que, mesmo depois de apagada a luz, ida a imagem física, vai conosco a imagem poética como uma experiência de ternura”. Ostra Feliz não faz Pérola, Rubem Alves, Planeta.

A imagem foi registrada no último sábado (11), na praia de Ponta de Pedras, Projeto de Assentamento Eixo Forte, Santarém (PA).

Fotojornalismo – Melhor imagem de 2011, segundo a World Press Photo

Na imagem acima, uma mulher afaga um homem atingido em protesto contra o presidente do Iêmen, Ali Abdullah, fato ocorrido em outubro do ano passado. O autor da foto é o espanhol Samuel Aranda (www.samuelaranda.net), que começou precocemente como fotojornalista: aos 19 anos, ele já trabalhava no tradicional jornal El Pais.

A lista completa das fotos vencedoras, por categoria, você confere em http://www.worldpressphoto.org/gallery/2012-world-press-photo Concorreram ao prêmio concedido pela World Press Photo 5.247 fotógrafos, de 124 países, que submeteram 101.254 imagens.

Lançamento – Comunicação e Cidadania: conceitos e processos

“Uma coletânea capitaneada por docentes e colaboradores do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), Comunicação e Cidadania: Conceitos e Processos propõe para a agenda pública experiências na interface comunicação/Cidadania. Ambos fenômenos abordados por diferentes ângulos, o que resulta em um percurso instigante. Política Social, jornalismo, cinema, radioweb, rádio comunitária, telefonia móvel, identidade profissional e o papel do jornalista, fotografia digital, marketing e marketing social, transversalidade da questão ambiental, uso de informações públicas no jornalismo, telejornalismo e política, representações da Terceira Idade, Sociedade da Informação são alguns dos temas apresentados, sempre incluindo a relação de tais temas com os conceitos e processos da cidadania. A obra conta com colaboradores parceiros de outras instituições (UFRN e UCB) e o núcleo de autoras e autores está vinculado, em grande medida, ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação e aos projetos de Extensão: Comunicação Comunitária, SOS Imprensa e Projete Comunicação para Sustentabilidade. Os relatos empíricos e as proposições conceituais apresentados na obra devem surtir novos e enriquecedores sentidos para essa interface” (Verbena Editora).

Autores: Prefácio: Marco Antônio Rodrigues Dias; Parte I – (Comunicação, Tecnologias e Cidadania): Vicente Faleiros, Tiago Qiroga, Dione Oliveira Moura (org.), Fernando Oliveira Paulino (org.), Juliana Soares Mendes, Leyberson Pedrosa, Pedro Arcanjo, Fabíola Calazans (org.), Fábio Henrique Pereira (org.), Kênia Maia; Parte II – (Jornalismo e Cidadania): Luiz Martins da Silva (org.), Délcia M.M. Vidal, Thais Medonça Jorge, Liziane Guazina (org.), Solano Nascimento, Elen Geraldes (org.), Samuel Lima (org.); Parte III – (Audiovisual, Publicidade e Cidadania): Edmundo Brandão Dantas, Gabriela Pereira de Freitas (org.), Tânia Siqueira Montoro, Karina Gomes Barbosa, Kátia Belisário, Asdrúbal Borges Formiga Sobrinho, Michael Peixoto.

Dione Moura (Org.)
Editora: Francis
Publicação: 2011

O livro custa R$ 53 no site da Livraria Cultura.

A árvore da vida

O que falar deste filme? Fisicamente, após a cena final, eu senti arrepios. rs. As imagens e a trilha sonora – música instrumental clássica – nos carregam de corpo e alma. É um filme que permite múltiplas interpretações: faz uso de metáforas, ‘takes’ abstratos, passagens bíblicas, trama descontinuada, etc. Faz a gente parar e pensar no verdadeiro sentido da vida e nas antíteses cotidianas: pautar-se por preceitos religiosos ou seguir a lógica da sociedade do consumo, que só valoriza o acúmulo de bens, status e poder. É o que persegue o personagem de Brad Pitt, embora sua família seja bastante religiosa.

O personagem de Sean Penn, o filho mais velho da trama na fase adulta, vaga por cenários urbanos e paisagens surreais, como que procurando entender o sentido de sua existência. O que me parece mais um elemento de antítese do filme.

Em diversos momentos, “A Árvore da Vida” também é uma crônica cotidiana, embora repleta de entrelinhas, de um jovem casal: logo vêm os filhos, os quais, especialmente o mais velho, vivem o dilema de amar o pai e odiá-lo por sua rígida educação. Num momento adverso da vida, o personagem de Brad Pitt se questiona acerca de suas imposições enquanto pai.

Os personagens se reportam a Deus, mas a história utiliza elementos da teoria evolucionista, mais um aspecto díspare.

“A Árvore da Vida” concorre ao Oscar 2012 de melhor filme, fotografia e diretor.

Título original: (The Tree of Life)
Lançamento: 2011 (EUA)
Direção: Terrence Malick
Atores: Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chastain, Fiona Shaw.
Duração: 138 min
Gênero: Drama
Status: Em cartaz

“Budrus”, a luta pacífica de um povo

“Budrus” é um documentário cru em se tratando de linguagem audiovisual. Percebemos pouca preocupação com ‘ângulos perfeitos’ – provavelmente proposital em razão da temática de conflito – e a fotografia se destaca mesmo nos últimos ‘takes’, quando palestinos do vilarejo que dá nome à produção se revoltam e destroem, parcialmente, cercas instaladas por israelenses. A cena ocorre ao pôr do sol, quando somente era possível enxergar a silhueta dos manifestantes.

O mote do documentário é a mobilização das cerca de 1.500 famílias do vilarejo contra a construção de um novo ‘muro de Berlim’, que, conforme os planos israelenses, iria adentrar por terras palestinas e destruir oliveiras centenárias. Aquele povo tem uma relação muito forte com essas árvores: há muitas gerações, as oliveiras permitem a sobrevivência da comunidade. A relação era tão íntima que elas recebiam os nomes de familiares.

Para construir o muro, israelenses queriam destruir as oliveiras, de modo a abrir caminho. Pacificamente, aquelas famílias palestinas começaram a se reunir e promover pequenos atos de protesto contra a retirada das oliveiras e a ocupação de suas terras. Era essa a principal motivação do povo de Budrus.

Inicialmente, somente homens colocavam-se de frente contra o Exército israelense, mas à medida que as máquinas avançavam sobre as oliveiras e as terras de Budrus, a revolta aumentava e compelia as mulheres e os jovens para o front. É impressionante a coragem das mulheres, que confrontavam os militares de perto.

Também é interessante no confronto exibido pelo documentário o fato da tropa israelense ser comandada por uma mulher, que se vê dividida entre a tarefa de abrir caminho para o muro e as razões para construi-lo, sem falar em temer o uso de violência contra outras mulheres e até israelenses que apoiavam a luta do povo palestino.

“Budrus”, embora seja o recorte de um microcosmo, é um documentário que ajuda a compreender o histórico conflito entre israelenses e palestinos.

Assisti ao “Budrus” neste domingo (5). Recomendado!

Ficha Técnica

Estado: Em DVD

Título Original: Budrus

Gênero:Documentário, Guerra, História

Direção:Julia Bacha

Estreia no Brasil: 2009

Estreia Mundial: 2009

Duração: 70 minutos