Release – Incra retoma titulação de famílias assentadas em Santarém (PA)

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Santarém (PA), 29 de setembro de 2009

moju_entrega_ccu_28_09_09_11A Superintendência Regional do Incra no Oeste do Pará retomou a titulação em benefício de clientes de reforma agrária no Município de Santarém (PA). Até meados de outubro, a autarquia assinará Contratos de Concessão de Uso (CCU), um instrumento de titulação válido por cinco anos, a 176 famílias dos projetos de assentamento Ituqui, Tapera Velha e Moju I e II. Este último é o mais atendido neste momento, com 123 CCU’s. A atual etapa de entrega, iniciada ontem (28), tem previsão de encerramento na primeira quinzena de outubro.

Anteriormente, 20 CCU’s foram destinados ao Projeto de Assentamento Bueru. O documento, cuja expedição começou neste ano pela Superintendência do Incra no Oeste do Pará, dá mais segurança jurídica às famílias que estão cadastradas pelo órgão e residem nas áreas atendidas.  Ao obter um CCU, o assentado torna-se apto a receber as linhas de crédito oferecidas pelo Incra, como o Apoio Inicial e o Aquisição Material de Construção, e por bancos, tendo em vista que possui um documento que lhe dá direitos sobre a terra. Além disso, o período de validade do contrato de concessão é utilizado na contagem dos 10 anos para o cumprimento de cláusulas resolutivas do título definitivo.

Pedro Ramos dos Santos, 48 anos, vive desde 1998, com a mulher, Maria Vilani Oliveira, e cinco filhos, no PA Moju I e II. O homem que dedicou a vida ao meio rural se emocionou ao descrever o significado de ter um título em mãos, algo novo para ele, que antes trabalhava na terra dos pais. “A pessoa que trabalha e não se legaliza não é nada. Com o recebimento do título, tudo fica mais fácil. Eu avalio isso como um privilégio. É para o futuro da gente”, ressalta o agricultor, que encara o CCU como um incentivo à permanência na terra e ao desenvolvimento de suas atividades, como a produção de farinha, pimenta e arroz.

Para Dário Correia Salgado, 38 anos, e a esposa, Girlene Borges da Silva, o recebimento do título consolida um bom momento para o casal, que fez o caminho inverso de muitas famílias: trocou a área urbana pela rural. “As condições que eu tinha de trabalho lá [área urbana] não dava para o sustento; aqui é diferente. Já estamos cultivando a mandioca, o arroz e o feijão. A vida melhorou e muito”, destaca Dário, assentado no PA Moju I e II.

“O CCU é muito importante. Já embasa para a garantia da propriedade da terra e para financiamentos de maior porte, como uma mecanização agrícola”, acrescenta Marlisson Lima Ferraz, assentado e presidente da associação representativa da comunidade Fortaleza, localizada no PA Moju I e II.

Deveres

As famílias que recebem um CCU comprometem-se a explorar suas terras direta e pessoalmente, bem como preservar o meio ambiente, inclusive as áreas de reserva legal e de preservação permanente, na forma da legislação ambiental federal, estadual e distrital vigentes. Também fica vedado à unidade familiar negociar ou, por qualquer forma, transferir a terceiros a posse ou os direitos do imóvel decorrentes da concessão de uso.

Título definitivo

A previsão é que as famílias as quais são entregues CCU’s recebam o Título Definitivo (TD) em cinco anos, tão logo encerre o prazo de validade dos contratos. Neste intervalo de tempo, o Incra se prepara para georreferenciar glebas e o perímetro de projetos de assentamento, umas das condições para a emissão do TD.

O CCU não é condição para o recebimento do TD. O contrato é assinado por famílias que já estavam com lotes demarcados e cadastrados no Serviço Nacional de Cadastro Rural (SNCR). Os demais assentados tornam-se candidatos a receber o TD assim que o Incra atender as condições para a emissão do documento e caso continuem morando e trabalhando na terra em conformidade com as legislações agrária e ambiental.

Meta

Em 2009, a Superintendência do Incra no Oeste do Pará tem como programação a entrega de CCU’s a 268 famílias, que vivem nos projetos de assentamento Bueru, Ituqui, Tapera Velha e Moju I e II, em Santarém; Morro das Araras, Assurini e Itapuama, em Altamira; Bom Jardim e Rio Arataú, em Pacajá; Laranjal, em Brasil Novo; Grotão da Onça, em Anapu; Canoé, em Senador José Porfírio; e Santa Julia e Nova Fronteira, em Novo Progresso.

Avó moderna das Havaianas é censurada na tv

É triste enxergar como o brasileiro ainda se comporta de forma retrógrada diante de situações que deveriam ser encaradas com maturidade. Foi censurado o criativo e bem-humorado comercial das Havaianas em que uma avó expressava uma visão moderna de relacionamento.

A exibição, que iniciou na tv, agora fica restrita à web. A polêmica se deu em virtude da personagem da avó aconselhar a neta a transar com o ator Cauã Reymond, em vez de pensar em casamento. Se tivéssemos famílias com diálogo aberto para o sexo, isto não acontecia.

As pessoas que reagiram contra o teor do comercial, certamente, “delegam” para as ruas e a escola a educação sexual de seus filhos. Mais: está enganado quem pensa que irá persistir eternamente o estereótipo da vovó alienada, apenas dedicada ao crochê e à cozinha.

Comercial original

A explicação da vovó à censura. Ao contrário do que os redatores escreveram para a personagem, a atitude não é democrática.

Release – Incra concede 1º título coletivo a populações tradicionais na Amazônia

Juruti VelhoPela primeira vez, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) concede um título coletivo a populações tradicionais da Amazônia. A entrega do documento ocorreu neste domingo (30) ao Projeto Agroextrativista (PAE) Juruti Velho, localizado no Município de Juruti (PA), no Oeste do Pará. A solenidade que marcou o ato aconteceu na sede do assentamento, com a presença de gestores do Incra, da Prefeitura de Juruti, do Governo do Estado do Pará e de comunitários.

A titulação do PAE Juruti Velho – assentamento criado em 2005 – foi realizada por meio de um Contrato de Concessão de Direito Real de Uso (CCDRU), assinado pelo superintendente regional do Incra no Oeste do Pará, Luciano Brunet, e pelo presidente da Associação das Comunidades da Região de Juruti Velho (Acorjuve), Gerdeonor Pereira.

“Chegamos a um ponto culminante após uma longa luta dos tradicionais que vivem e trabalham na região de Juruti Velho, reconhecendo que eles são os donos desta terra”, afirma o superintendente Luciano Brunet. Ele informa que o título beneficia 45 comunidades na região, onde estão cerca de duas mil famílias cadastradas como clientes de reforma agrária.

Juruti Velho fica a cerca de três horas de barco da sede do Município de Juruti. A região é habitada secularmente por famílias que possuem um histórico de organização social e de uso sustentável da floresta, com o desenvolvimento de atividades de baixo impacto ambiental, como a pesca artesanal, a produção de farinha e a coleta de castanha.

Segurança para as atuais e as futuras gerações

“Há muitos anos, lutamos pela titulação. Agora, podemos dizer para qualquer um que estas terras são nossas, de fato e de direito. A titulação significa segurança não só para nós, hoje, mas para as futuras gerações, que já estarão dentro de um processo legal”, destaca o presidente da Acorjuve, Gerdeonor Pereira.

De acordo com o CCDRU, as famílias assentadas dispõem de 93.831 hectares, “considerando-se a área do projeto como território coletivo e a modalidade de exploração coletiva e individual, observando-se o limite de respeito tradicionalmente e historicamente vivenciado e aceito entre as famílias tradicionais que habitam o território”.

Marco legal

O superintendente substituto do Incra no Oeste do Pará, Dilton Tapajós, aponta as peculiaridades da titulação realizada no PAE Juriti Velho. “Para as comunidades tradicionais da Amazônia, representa a concretização de um documento especial que garante território, as riquezas naturais e o fortalecimento das entidades que as representam”, avalia o superintendente substituto.

Tapajós acrescenta que a titulação também assegura os direitos decorrentes da implantação de projetos de mineração em áreas de assentamento, como a indenização por danos e prejuízos, a renda pela ocupação do território e a participação nos resultados da lavra. No caso de Juruti Velho, o CCDRU entra como fator determinante no processo de negociação que a comunidade mantém com uma empresa mineradora que está se instalando em Juruti.

Preservação ambiental

Aliada à destinação da terra, o Incra estabelece no título cláusulas que preveem o desenvolvimento sustentável. A partir da assinatura do CCDRU, os comunitários comprometem-se formalmente a preservar e, se for o caso, restaurar os bens naturais e os sítios ecológicos que representam patrimônio ambiental, bem como as áreas de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal (RL).