Release – ONU certifica geração de energia em assentamentos do PA

Confesso que poderia ter escrito um release mais rico, porém, duas outras pautas surgiram ontem e, no final do dia, uma demanda de atendimento à imprensa. Essa deve ser a matéria de destaque na próxima edição do “Terras do Tapajós”.

Micro Central Hidrelétrica (MCH)A Organização das Nações Unidas (ONU) e o Governo de Dubai, dos Emirados Árabes Unidos, certificaram com o título de Melhores Práticas de 2008 a energia gerada em dois assentamentos no Oeste do Pará: Mojú I e II e Corta Corda, ambos localizados no município de Santarém (PA). Nestes locais, foram implantadas seis Micro Centrais Hidrelétricas (MHC), que produzem energia limpa e com baixo impacto ambiental a partir de igarapés existentes na região.

A certificação foi destinada à empresa responsável pela criação das turbinas das MCHs, a Indalma, que recebeu recursos da Superintendência Regional do Incra no Oeste do Pará e da Prefeitura de Santarém para implantar o projeto. As MCHs instaladas nos assentamentos Mojú I e II e Corta Corda têm capacidade para atender a cerca de 1,9 mil famílias. A primeira MCH foi instalada em junho de 2006 e a última, em junho de 2008.

O reconhecimento da iniciativa ocorreu por meio do Dubai Internacional Award for Best Practices (Prêmio Internacional de Boas Práticas de Dubai), premiação gerida conjuntamente pelo Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (UN-HABITAT) e pelo governo de Dubai. Iniciado em 1995, o prêmio foi criado para reconhecer e reforçar projetos que tenham como foco a sustentabilidade e a melhoria das condições de vida da população.

O projeto das MCHs foi certificado na categoria Best Practices (Melhores Práticas), onde outros nove, do Brasil, e 82 de diversos países figuram. Desde 1995, o prêmio de boas práticas atraiu mais de quatro mil iniciativas de 140 países. Na última edição, a sétima, foram registradas cerca de 500 inscrições.

Veja no Portal do Incra
ONU certifica geração de energia em assentamentos do PA

Portal do MDA
ONU certifica geração de energia em assentamentos do PA

Projeto de assentamento une culinária e folclore em Festival do Tacacá

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Culinária e manifestações folclóricas paraenses. O swing e o tempero caboclos. A caminho da praia mais bela do Brasil – Alter do Chão, eleita pelo jornal britânico The Guardian -, santarenos e turistas têm a oportunidade de imergir um pouco mais na cultura amazônida. Pelo quarto ano, comunitários do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Eixo Forte se uniram para promover o Festival do Tacacá, que iniciou no sábado e encerra hoje (5).

O tacacá, comida típica do Estado do Pará, é servido em abundância pelos agricultores familiares. Ana Pedroso Peixoto, 65 anos, assentada do PAE Eixo Forte, expressa, nos traços do rosto e no dom de manipular a mandioca, uma tradição que remonta aos povos indígenas. É com prazer que ela transmite aos mais jovens da família os segredos da extração do tucupi. “Para ser um tucupi especial, tem de ser natural, sem misturas, tirado da mandioca pura, aí, ele vai mostrar sua qualidade”, revela. O líquido amarelado é a base do tacacá.

Para agradar o paladar dos visitantes, Dona Ana conta que começou a trabalhar quatro dias antes do festival, “apurando”, como ela mesma fala, o tucupi extraído da mandioca. “Eu comecei a preparar na terça-feira. Todos os dias, eu fervia. Hoje [sábado], pus todos os temperos para ele ficar bem gostoso”, lembra, sorridente.

Nas barracas ornamentadas de forma rústica, o tacacá ganhava as misturas que o complementam: a goma, obtida a partir da tapioca, o camarão e o jambu, uma erva. Servido quentinho, em cuias customizadas para o festival, o tacacá de São Braz provocava prazer em quem o provava.

Cultura viva

Enquanto degustava o tacacá, o público assistia aos jovens da comunidade exibirem a sensualidade e a alegria do carimbó. Já as candidatas a Rainha do Tacacá carregavam o talento das artesãs locais em roupas confeccionadas a partir de produtos da floresta.

O festival também marcou o resgate de uma manifestação artística que surgiu em São Braz em 1955: a dança do pelicano. Mesmo sob improviso, Irlando Corrêa Pedroso conduzia a performance. Sob as vestes de um sacaca, uma espécie de curandeiro, ele transmitia a mensagem de preservação ambiental ao defender o pelicano do ataque do homem.

Trabalho coletivo que dá resultado

O Festival do Tacacá, que já faz parte do calendário de eventos de Santarém, mobiliza e incentiva a produção da comunidade de São Braz, onde residem aproximadamente 150 famílias. “Além de integrar a comunidade, o objetivo é fazer com que as pessoas vivam do agroextrativismo, no caso, através da mandioca e de um de seus derivados, o tucupi. Divulgamos a nossa culinária e a produção agrícola e queremos permanecer na nossa terra, produzindo e colhendo”, afirma o coordenador do festival, Madson Costa.

O presidente do Conselho Comunitário de São Braz, Izenildo Pedroso, informa que a arrecadação obtida com o festival será empregada na melhoria de espaços sociais em São Braz.