Uma fortaleza que tentava se manter de pé. Era essa impressão que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, transmitia enquanto comunicava, publicamente, que estava com um tumor linfático – já retirado – e que se submeterá a um tratamento, por cerca de quatro meses, de quimioterapia.
Dilma adotou um discurso político e uma postura de líder. Utilizou palavras e expressões positivas: “desafio”, “superação”, “enfrentar obstáculos”, “mais forte” e “me sinto segura”. Com uma postura ereta e a cabeça erguida, por duas vezes, no mínimo, dirigiu-se aos “brasileiros” e ressaltou a determinação do nosso povo para dizer que várias pessoas superaram a mesma doença.
É óbvio que ninguém quer ter um tumor benigno, mas é fato também que situações como esta sensibilizam o povo brasileiro, desde que a vítima mantenha um discurso de firmeza e superação. Concluído o tratamento com êxito, a ministra somará pontos à popularidade e às intenções de voto na pré-candidatura à Presidência da República.
No Pará, em 2007, a então candidata a governadora, Ana Júlia Carepa (PT), caiu de um veículo durante um comício. No decorrer da campanha, manteve-se sempre com uma bota médica e andando com certa dificuldade. Claro que a vitória não se deu por isso, mas deve ter exercido alguma influência no imaginário popular.