O release abaixo foi encaminhado para a imprensa no sábado (28). Vou escrever um outro texto, no estilo revista, para o “Terras do Tapajós”. Rende, em especial, pela história de uma mulher que, somente aos 42 anos, recebeu a certidão de nascimento. Nos próximos dias, posto as fotos.
A Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Santarém, em parceria com órgãos públicos federais e entidades do movimento social, concluiu mais uma etapa do programa de documentação de trabalhadores rurais. No período de 23 a 27 deste mês, uma equipe do órgão se deslocou até comunidades da Gleba Nova Olinda e da Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns, no Oeste do Pará, para a entrega de 360 documentos, entre certidões de nascimento e CPF’s.
“Essa ação é importante pelas dificuldades de locomoção até a cidade e pelo poder aquisitivo das pessoas. Custa caro a passagem daqui (Resex) até a cidade – até em torno de 120 reais para ir e voltar”, revela Leônidas Farias, representante da Federação Tapajoara, que congrega comunidades da Resex Tapajós-Arapiuns. Ele acrescenta que a situação fica pior no período da seca, quando alguns moradores demoram até três dias viajando para chegar à área urbana de Santarém.
Com o programa de documentação de trabalhadores rurais mantido pelo Incra e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, equipes se deslocam até as comunidades, efetuam o cadastro das famílias e a entrega dos documentos, garantindo cidadania a quem tem dificuldade de acesso aos órgãos expedidores.
Maria de Fátima Alves, moradora da Gleba Nova Olinda, manteve-se, por 42 anos, uma cidadã anônima para os órgãos de governo. Somente na última quinta-feira (26), ela recebeu a certidão de nascimento. A dona-de-casa nunca estudou e, em virtude da ausência de documentação, não conseguia benefícios sociais do governo e ainda não exerceu o direito ao voto. Maria Alves também recebeu a certidão de nascimento de oito filhos – três já atingiram a maioridade – no mesmo dia em que obteve a sua.
Próxima ação – Orivan Matos, coordenador do programa de documentação no Incra, informa que o Município de Aveiro, Oeste do Pará, será o próximo atendido. A previsão é que na segunda quinzena de abril, em data a definir, seja feito o levantamento da necessidade de documentação em 13 comunidades rurais.
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