Em busca de uma ponta de praia

Mais do que para o descanso, o domingo é um dia oportuno para descobertas. Quando se tem como “varanda” o rio Tapajós, floresta, praias e trilhas, bobagem é curtir o ócio em casa. Acordei ontem às 5h30. Às 7h, uma prazerosa agenda me aguardava: passeio de barco pelo rio Tapajós. Levamos a “boroca”* e armamos nossas redes, item indispensável em qualquer viagem na Amazônia. Um imprevisto, porém, não só atrasou a saída, como nos obrigou a uma baldeação. Trocamos o barco por uma lancha. Seguimos pelo Tapajós até pararmos, cerca de 30 minutos depois, numa praia, até então, desconhecida para todos. Cada qual dava seu jeitinho para atravessar as pedras no fundo das águas. Já na praia, os mocorongos (rs) corriam para atar suas redes nas árvores. O local era calmo, mas não oferecia um banho tão agradável. A lama no fundo do rio podia esconder “moradores” típicos, as arraias. Instiguei colegas a encarar uma trilha até uma ponta de praia que nos seduzia. Empolgado e bem disposto, só pus um chinelo e segui, sozinho, bem à frente, pelo caminho de pedras. Um momento particular para pensar nas inquietações imediatas e, simplesmente, curtir a brisa leve, o clima nublado, as fontes d´água que emergiam ao longo do percurso e o vôo das gaivotas. À medida que me aproximava da ponta de praia, porém, era exigido de mim um espírito aventureiro que ainda não desenvolvi tão fortemente. Por prudência, aguardei um colega para atravessar poças de lama cada vez mais profundas. Recuar, a alguns passos de uma praia que se elevava a uma altura de cerca de três metros, já era tarde demais. A curiosidade era grande. Vencíamos o lameiro enquanto outra parte da turma ganhava tempo e enveredava por um caminho bem mais confortável. O paredão de árvores deixava brechas do caminho alternativo, mas não o suficiente para eu mudar a rota. Segui e venci. A praia exibia um cenário que recompensava o esforço: águas límpidas e mornas, areia que ensaiva a formação de dunas e uma tranqüilidade que nos fizera donos do espaço até o pôr-do-sol, que anunciou nossa despedida.  Entretanto, não se interrompe o plano de um dia retornar, à noite, para escrever um outro capítulo especial na vida deste jornalista ou um post, se vier a ser publicado neste blog, regado a luar, brisa e uma agradável companhia, em Tapari, a praia que visitamos, ou numa outra que ofereça inspirações semelhantes.

* O mesmo que mala de viagem