Entre sapucaias e vitórias-régias

Obs: infelizmente, a internet em Santarém está de péssima qualidade, daí, o erro no carregamento das fotos da galeria. Todas, porém, são possíveis de serem visualizadas ao se clicar nos links.

Algumas pessoas têm a sorte de fazer o que gostam e, mais ainda, ter a oportunidade de passar por experiências valiosas. Eu me considero uma delas. Embora esteja num outro ramo da Comunicação, não me afastei, por completo, do Jornalismo. Por sinal, a concepção e concretização de produtos editoriais é o que mais me agrada. E nesta jornada (kkk) em busca de notícias, a Amazônia sempre nos surpreende com suas paisagens que transmitem paz, que nos revelam um mundo novo a cada viagem e nos dão a certeza da existência de um Ser maior, capaz de construir tão engenhosa arquitetura. Sábado (30) à tarde. Mochila nas costas – meu acessório indispensável – e lá vamos nós para uma viagem pelo rio Tapajós. Uma lancha pequena, porém, potente. Influenciado pelo rio Amazonas e pelos ventos fortes, o Tapajós nos faz enfrentar bastante “banzeiros” – espécie de ondas -, o que me rendeu uma sensação de tonteira à noite. Quem atravessa pelas margens das ilhas, vê apenas muitas árvores e não imagina que existem pessoas morando mata adentro, muralhas que escondem populações tradicionais, seculares, e a história de povos indígenas. Saímos do Tapajós e entramos por um canal, o Sururu, que nos conduz à comunidade do Laranjal, ainda em Santarém. Com a chegada do período quente, as águas já diminuíram bastante de volume, o que aumenta o percurso, a pé, até nosso destino. Numa das fotos, verá uma espécie de ponte, na verdade, trapiche, que dá uma noção a que altura chega o nível do rio. No caminho, terras fofas, de várzea, que, durante seis meses, permanecem cobertas pelas águas e, no restante do ano, reaparecem. O gado e o búfalo, então, também retornam. O igarapé recua e, os patos curtem um banho fresco na sombra das árvores. Pegamos uma catraia – leia-se canoa – e nos aproximamos das vitórias-régias. Grandes e com espinhos. As sapucaias ficam ao alcance das crianças. Foi a primeira vez que vi uma planta desta. É interessante. Dela, brotam cuias, que, quando seus frutos estão maduros, rompem-se e despejam castanhas. E esta comunidade, escondida dos olhos do homem urbano, diminui sua distância do mundo lá fora. Barcos de linhas fazem o trajeto Laranjal-Santarém-Laranjal todos os dias. A energia, embora ainda não seja fornecida 24 horas por dia, chega por meio de placas solares ou motores a óleo. Do início da noite até as 21h30, é possível ter energia. A comunicação também está presente, embora limitada. A Vivo faz seu sinal chegar e consegui enxergar dois orelhões. As emissoras de rádio são a principal fonte de informação. Como se vê, as comunidades evoluem, mas não querem perder os encantos do povo amazônico.

Festival folclórico

O Colégio Dom Amando – um dos mais tradicionais de Santarém e que absorve boa parte dos filhos da elite do município - realizou o 36º Festival Folclórico durante a semana passada. Pel primeira vez, compareci ao evento, mais precisamente no sábado (23). O colégio engajou os alunos a reproduzir a realidade de comunidades rurais santarenas, ainda muito conhecidas apenas pela imprensa, mesmo pelos jovens amazônidas que vivem na zona urbana. Casas de palha, radiolas, imagens de santos, redes de pescar, poços artesianos e a religiosidade estavam entre os diversos elementos do cotidiano do cabloco. Tentei fazer uma galeria, mas, infelizmente, a internet não colabora. Resolvi postar, então, manualmente os links das fotos.

Reprodução das moradorias nas colônias santarenas
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Em casa de pescador, rede não falta
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Preparo da farinha de mandioca
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Beiju mole
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Peixe frito no fogo a lenha
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Radiola
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Novas gerações mantêm carimbó vivo na cultura popular paraense
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Paraíba Pop Star

21 de agosto. Eliminatória do Paraiba Pop Star em Santarém (PA)

Eliminatória do Paraíba Pop Star em Santarém (PA)

É impressionante a capilaridade do Armazém Paraíba. Assim que cheguei a Santarém, fiquei espantado com a existência de lojas na cidade. Ontem, durante minha caminhada na orla, escutava de longe o áudio de uma peça publicitária que anunciava a final do concurso Paraíba Pop Star na minha terra, Teresina (PI), digamos, o “QG” da empresa. Ontem, ocorreu a eliminatória do concurso em Santarém.

Incra destina 900 casas populares a moradores de Resex

Carregamento de material de construção para comunidade Anumã

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) está destinando 900 casas populares para a Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, beneficiando famílias dos municípios de Santarém e Aveiro. Esta é a maior ação na área de habitação da Superintendência do órgão em Santarém. O investimento total corresponde a R$ 5,6 milhões.

Vinte comunidades da Resex Tapajós-Arapiuns serão atendidas pelo crédito instalação, na modalidade aquisição de material de construção. Destas, em quatro as obras já iniciaram: Uquena, Muratuba, Mirixituba e Samaúma. As demais estão em fase de recebimento dos produtos adquiridos, como é o caso de Anumã, localizada em Santarém, onde a empresa fornecedora faz a entrega do material até amanhã (22).

“Antes deste projeto chegar, as famílias da Resex viviam em casas de palha. Era uma situação muito precária. Quem já recebeu uma casa ou vai receber, está muito feliz, já que os moradores não possuem condições de comprar uma casa de alvenaria”, relata Gilberto Pereira, presidente da Associação de Moradores de Anumã. Ele acrescenta que, em casas de palha, as famílias se sujeitavam a situações de risco. “Várias pessoas foram picadas por aranhas, centopéias e cobras”, informa Pereira. 

Cada família recebe o equivalente a R$ 7 mil em produtos como telhas, tijolos e madeira para erguer a casa. Os fornecedores do material são definidos através de consulta de preço feita pelas associações representativas das comunidades. Elas devam coletar, no mínimo, três orçamentos e optar pelo menor preço e garantia de entrega no local da obra. O construtor das casas é escolhido, em assembléia, pelos comunitários. O Incra repassa os recursos após fiscalizar a entrega do material e, posteriormente, da obra.  

A casa - Além da compra do material, as comunidades negociam a construção das casas com o recurso a que tem direito. As normas existentes hoje no Incra determinam que cada unidade habitacional tenha, no mínimo, 42 metros quadrados. O modelo pode ser definido pela própria comunidade.  

A Resex – É uma unidade de conservação criada em outubro de 2003 que possui área de 647.610 hectares, onde existem 2.805 famílias na relação de beneficiários do Incra. Apesar de estarem numa unidade de conservação, portanto, sob a jurisdição do Instituto Chico Mendes, as famílias residentes na Resex foram reconhecidas como clientes da reforma agrária graças a uma portaria assinada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Amazonas, terraço e quintal

Casa no Amazonas

Casa no Amazonas

Para o resto do Brasil, esta cena chega a ser surreal. Como pode uma família morar dentro de um rio, ainda mais quando se trata do Amazonas? Realmente, é motivo de espanto e fascínio para quem não é nativo da Amazônia. Nas viagens que faço na região Oeste do Pará, esta cena é comum. Mais curioso ainda é saber que estas famílias não vivem tão “isoladas” do mundo. Como se observa, eles possuem energia elétrica – gerada por motor -, e até antena parabólica, ou seja, telejornais e novelas também fazem parte do cotidiano dos pescadores. É bom observar que nem sempre eles vivem sobre as águas do Amazonas. Isto ocorre durante metade do ano, no restante, o rio diminui de volume, quando “emerge” o solo.

Sabores

Saboreio galinha caipira com toque indigena

Saboreio galinha caipira com toque indígena

Está aí a galinha caipira que os nordestinos também tanto conhecem e apreciam. Mas um detalhe diferencia o prato: o jambu. Assim que o vi, primeiramente no tacacá – outro momento anexo foto -, perguntei: que mato é este? rs. Confesso que, visualmente, fica um pouco estranho na comida, mas tem um sabor agradável. Não arde e nem é amargo. Tem um gosto bem leve. Bom apetite!