Santarém (PA), 02 de julho de 2008
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) concluiu o relatório antropológico da comunidade Bom Jardim, que fica a cerca de 25 quilômetros da sede do Município de Santarém. A comunidade possui aproximadamente 80 famílias e pleiteia perante o Incra a regularização de 2.650 hectares como remanescente de quilombos. Neste processo, o relatório antropológico é peça indispensável.
“Através dele [relatório] se busca resgatar a memória coletiva, as origens da comunidade, a ancestralidade dos remanescentes e o processo histórico de perda do território de ocupação tradicional, visando identificar as marcas legitimadoras da reivindicação territorial do grupo”, explica o antropólogo José da Guia Marques, responsável pelo trabalho na comunidade Bom Jardim. A coleta de dados envolveu pesquisa documental e entrevistas com comunitários.
Dileudo Guimarães, comunitário de Bom Jardim e presidente das Organizações Quilombolas de Santarém, afirma que existe a preocupação em preservar as tradições da cultura afro-brasileira. Danças como maculelê e negro no tronco são mantidas pelas novas gerações.
“Outro traço marcante são as crenças em seres antropomórficos, ou seja, acredita-se fortemente na transformação de seres da natureza em pessoas, a exemplo da sapa que vira mulher ou do boto que vira homem, ou de pessoas que se transformam em outros seres da natureza, como em lobisomens. Há uma forte crença também no poder espiritual e de cura dos sacacas (curandeiros)”, revela José da Guia.
Passos seguintes - Na continuidade do processo de regularização da comunidade Bom Jardim, o Incra já iniciou o relatório agronômico, no qual deverá conter o levantamento ocupacional e fundiário. O documento final de mapeamento da região é chamado de Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID).